Equipe da pré-campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE para suspender pesquisa AtlasIntel

Levantamento mostrou que Flávio caiu seis pontos porcentuais após a divulgação dos áudios dele com Vorcaro; AtlasIntel nega irregularidades

19 mai 2026 - 15h57
(atualizado às 17h51)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A coordenação jurídica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação contra a pesquisa divulgada pelo instituto AtlasIntel nesta terça-feira, 19. A ação pede, em caráter liminar, a suspensão da divulgação do levantamento e questiona a metodologia utilizada pelo instituto.

De acordo com a pesquisa, Flávio caiu seis pontos porcentuais após a divulgação dos áudios envolvendo o senador e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passando de 47,8% para 41,8%. Houve ainda aumento de 4,6 pontos percentuais no número de indecisos e de entrevistados que afirmaram votar nulo ou em branco, índice que atingiu 9,3%.

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Segundo a representação, o questionário teria sido estruturado de forma a induzir uma percepção negativa sobre o pré-candidato, especialmente por meio de perguntas que associariam o senador a Vorcaro e ao Banco Master.

A equipe da pré-campanha sustenta que a sequência dos questionamentos e a forma de apresentação dos temas teriam contaminado as respostas dos entrevistados, comprometendo a neutralidade e a integridade dos resultados divulgados pela pesquisa.

No pedido apresentado ao TSE, a coordenação jurídica argumenta que o levantamento teria ultrapassado a função de aferir a opinião pública ao introduzir estímulos capazes de influenciar a percepção dos entrevistados antes de perguntas relacionadas à imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.

A AtlasIntel, por meio de nota, afirmou que não foi notificado oficialmente até o momento e que manifesta plena tranquilidade. O instituto afirmou que o teste de áudio questionado foi realizado apenas após o envio definitivo das respostas da pesquisa, sem possibilidade de alterar os resultados. (veja abaixo o posicionamento completo)

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Em publicação no X, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, também negou problemas metodológicos e afirmou que o áudio envolvendo o senador e o banqueiro foi reproduzido apenas após a conclusão do questionário principal da pesquisa e, portanto, não teria impacto sobre os cenários eleitorais apresentados.

“A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil, mas em nível global”, escreveu Roman.

A representação apresentada pela defesa de Flávio também solicita apuração sobre eventual prática de crime eleitoral, sob alegação de possível divulgação de pesquisa fraudulenta, diante da gravidade dos supostos vícios apontados.

Agora caberá ao TSE analisar os argumentos apresentados pela defesa e decidir sobre eventual concessão de medida liminar ou identificação de irregularidades no levantamento.

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Com a palavra, AtlasIntel

"A AtlasIntel tomou conhecimento, por meio da imprensa, da representação protocolada

pela coordenação jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral

questionando a pesquisa registrada sob o no BR-06939/2026. O instituto não foi notificado

oficialmente até o momento.

A AtlasIntel manifesta plena tranquilidade diante de qualquer questionamento e está

inteiramente preparada para responder com o rigor técnico e metodológico que caracteriza

seu trabalho no Brasil e no exterior. A empresa colaborará com o TSE em tudo que for

necessário e confia na análise imparcial das autoridades eleitorais competentes.

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Em relação ao mérito das alegações, a AtlasIntel esclarece, de forma objetiva:

O teste de áudio e o questionário de pesquisa são instrumentos completamente

distintos, realizados em momentos e interfaces separados. O teste de áudio foi aplicado

exclusivamente após a conclusão e submissão do questionário pelo respondente. Nenhum

respondente teve acesso ao conteúdo do áudio antes ou durante o preenchimento da

pesquisa, tampouco pôde alterar suas respostas após a sua submissão. Não há, portanto,

qualquer mecanismo de contaminação entre os dois instrumentos, e os resultados da pesquisa

não sofreram nenhum tipo de interferência.

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Durante o questionário, em nenhum momento o conteúdo do áudio foi reproduzido.

Foram feitas perguntas para verificar o conhecimento prévio do respondente sobre o caso e se

ele já havia ouvido o áudio por conta própria — o que constitui prática metodológica padrão e

legítima para mensurar o nível de exposição espontânea do eleitorado a determinado tema.

O teste de áudio, por sua vez, tem finalidade analítica distinta: medir, segundo a

segundo, a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais,

com segmentação demográfica — metodologia amplamente utilizada em pesquisas de

comunicação e opinião pública em todo o mundo.

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Todo o desenho do questionário e da dinâmica de pesquisa foi conduzido com o rigor

técnico e metodológico que distingue o trabalho da AtlasIntel, sempre orientado pelos

princípios de imparcialidade, transparência e qualidade dos dados.

A AtlasIntel reafirma seu compromisso com a integridade da pesquisa eleitoral e com o

papel essencial que levantamentos independentes e tecnicamente robustos desempenham

para o funcionamento da democracia. Tentativas de desqualificar pesquisas por vias jurídicas,

sem que haja fundamento técnico demonstrável, representam um risco ao debate público

informado e à liberdade de imprensa.

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O instituto permanece à disposição das autoridades, da imprensa e da sociedade para

quaisquer esclarecimentos adicionais."

Fonte: Portal Terra
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