Cerca de 14 milhões de brasileiros encontraram na corrida uma forma de transformar a saúde e o estilo de vida, segundo dados da Confederação Brasileira de Atletismo. No entanto, um mito persistente costuma assombrar os praticantes e afastar os iniciantes: a ideia de que o impacto do esporte acelera o envelhecimento facial. A dermatologista Mônica Carvalho, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, desmistifica essa crença de forma direta ao afirmar que muitos confundem o emagrecimento facial com o envelhecimento real. De acordo com a médica, o que ocorre é a perda dos coxins de gordura, que funcionam como pequenas almofadas sob a pele, conferindo um aspecto mais magro ao rosto do corredor, mas sem qualquer relação com a degradação precoce das fibras de sustentação.
Mitos e verdades sobre a corrida
"Muitos acham que um rosto mais magro, comum entre corredores, é um rosto mais velho, mas isso é mentira", esclarece Mônica Carvalho. A especialista reforça à Folha de SP que a verdadeira causa do envelhecimento é a perda de colágeno. Trata-se de um processo natural do organismo que não sofre influência negativa da atividade física. Na verdade, a corrida pode até ser uma aliada da estética corporal. Outro mito comum é de que a prática faria os glúteos "caírem". Na realidade, o fortalecimento muscular promovido pelas passadas, especialmente quando aliado à musculação, ajuda a manter a região firme e tonificada. A flacidez observada em alguns casos decorre apenas da perda de gordura localizada ou do envelhecimento cronológico natural.
Para quem se exercita ao ar livre, o verdadeiro vilão não é o movimento, mas a exposição solar sem proteção. A dermatologista alerta que o surgimento de rugas e manchas está ligado aos raios UV e à poluição ambiental, que libera radicais livres na pele. A recomendação técnica é aplicar camadas generosas de protetor solar. Além disso, deve-se utilizar viseiras e lavar o rosto imediatamente após o treino para remover as impurezas que degradam o colágeno. Além dos benefícios estéticos, a corrida atua diretamente na saúde mental. A psicóloga do esporte Duda Rea explica que a modalidade libera neurotransmissores essenciais como a dopamina e a serotonina, gerando uma sensação imediata de prazer e bem-estar.
Evidências científicas
Por fim, evidências científicas sustentam esse impacto emocional positivo. Um estudo realizado com mais de 58 mil brasileiros pelo Centro de Medicina Preventiva do Einstein Hospital Israelita comprovou que a atividade física regular melhora significativamente os sintomas depressivos. Embora a prática possa causar a famosa dor muscular de início tardio, a médica do esporte Karina Hatano ressalta que esse desconforto deve ser passageiro. Se a dor persistir por mais de 48 horas ou limitar movimentos, é sinal de que o corpo precisa de avaliação médica, e não apenas de descanso. Ao final, a corrida se prova não um agente de envelhecimento, mas um motor de longevidade e equilíbrio para o corpo e a mente.