Confusão entre alergia e intolerância leva famílias a cortar alimentos sem diagnóstico

Veja os sinais que requerem atenção dos pais, segundo especialistas

17 mar 2026 - 09h12

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) emitiu um alerta sobre o aumento de cortes alimentares precoces e sem avaliação adequada em crianças. Sintomas como manchas na pele, fezes com sangue, vômitos repetidos e irritabilidade intensa têm levado famílias a restringir grupos alimentares por conta própria, o que pode comprometer o desenvolvimento infantil e a qualidade de vida dos pacientes.

Foto: Freepik / Porto Alegre 24 horas

De acordo com a entidade, é fundamental distinguir entre alergia e intolerância, situações que possuem causas e cuidados distintos. A intolerância alimentar, considerada rara na pediatria, está ligada à dificuldade de digestão de componentes como a lactose (o açúcar do leite), resultando em gases e desconforto abdominal. Já a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma reação do sistema imunológico e pode se manifestar de forma imediata, com inchaço e urticária, ou tardia, apresentando sintomas intestinais inespecíficos.

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O perigo das restrições desnecessárias

A médica Cristina Helena Targa Ferreira, gastroenterologista pediátrica e assessora da SPRS, destaca que, nas formas tardias da alergia, não existe um exame único para confirmação, tornando a avaliação clínica determinante. A retirada de leite e derivados sem a devida substituição e acompanhamento médico pode gerar déficits de nutrientes essenciais para o crescimento, como cálcio, proteínas e vitaminas.

A SPRS reforça que o diagnóstico deve ser individualizado, com revisões periódicas para evitar restrições prolongadas e desnecessárias. A desinformação propagada em redes sociais tem contribuído para a confusão entre sintomas comuns da infância e quadros alérgicos, impulsionando "testes em casa" que aumentam a ansiedade familiar e o risco nutricional.

Sinais que demandam atenção

Especialistas recomendam que os pais busquem auxílio profissional ao observar sinais como:

  • Sangue recorrente nas fezes e diarreia persistente;

  • Baixo ganho de peso e vômitos frequentes;

  • Dermatites que não respondem aos cuidados habituais;

  • Reações rápidas na pele ou sistema respiratório após a ingestão de alimentos.

A orientação final da Sociedade é que nenhuma dieta de exclusão ou introdução de fórmulas seja iniciada sem a consulta ao pediatra de referência, garantindo assim a segurança alimentar e a saúde da criança.

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