Montadora chinesa vendeu mais de 2 milhões de veículos a bateria em 2025. Já empresa de Elon Musk afirma que agora aposta em robotáxis e robôs humanoides para serviço doméstico.A Tesla perdeu a coroa de maior vendedora mundial de veículos elétricos para a rival chinesa BYD, apontam os números anuais divulgados pelas duas empresas. A montadora chinesa vendeu 2,26 milhões de carros movidos a bateria em 2025, contra 1,64 milhão de unidades entregues pela empresa de Elon Musk.
De outubro a dezembro, a Tesla sofreu uma queda maior do que o esperado, com 418 mil veículos entregues — ou seja, 15,6% a menos do que os 495 mil do mesmo trimestre em 2024. No total de 2025, a redução foi de 9% em relação ao ano anterior.
A montadora sofreu com o fim de incentivos fiscais em setembro nos Estados Unidos. Além disso, se vê diante da antipatia de parte dos consumidores contra o polêmico Musk — que chegou a ocupar um cargo temporário no governo de Donald Trump antes de a aliança com o presidente americano implodir — e a crescente concorrência de rivais chineses e europeus.
Os resultados emergem como reviravolta para Musk, que antes descartava a BYD como ameaça, enquanto a ascensão da Tesla parecia imparável. No passado, a Tesla esmagou outras montadoras com muito mais recursos, ajudando a tornar Musk o homem mais rico do mundo.
Desafios também para BYD
A China é hoje o maior mercado mundial para veículos movidos a fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, incluindo elétricos e híbridos plug-in.
Apesar da vitória sobre a concorrente, a BYD, sediada em Shenzhen, viu as vendas totais caírem 18,3% entre 2024 e 2025, impactada pela crescente concorrência local e o enfraquecimento da sua liderança tecnológica.
No ano passado, a chinesa ofereceu recursos avançados de direção autônoma em veículos elétricos e lançou dois modelos equipados com tecnologia de carregamento ultrarrápido. No entanto, mesmo estes esforços pouco contribuíram para proteger a empresa da perda de participação de mercado.
Além disso, a BYD busca expandir sua presença no exterior, incluindo a construção de uma fábrica no Brasil, apesar de enfrentar tarifas pesadas em alguns mercados.
Novos rumos na Tesla
Musk também lançou versões mais baratas e simplificadas do Model Y e Model 3 em outubro, como parte de um esforço para reativar as vendas.
O CEO da Tesla tem afirmado, entretanto, que a queda nas vendas de carros não importa tanto agora, porque o futuro da empresa está ligado a novos negócios.
O magnata cultiva ambições de tornar a empresa líder em serviços de robotáxis, no armazenamento de energia e na venda de robôs humanoides capazes de realizar tarefas básicas em casas e escritórios.
Num gesto de apoio, o conselho da Tesla concedeu um novo pacote salarial massivo, aprovado pelos acionistas em novembro. Os investidores preferiram se concentrar nas promessas dos novos rumos, e não na queda das vendas, o que levou as ações a encerrarem 2025 com alta de 11%.
Musk obteve outro grande ganho há duas semanas, quando a Suprema Corte de Delaware, nos EUA, reverteu uma decisão que o havia privado de um pacote salarial de 55 bilhões de dólares concedido pela Tesla em 2018.
Ele poderá se tornar o primeiro trilionário do mundo ainda este ano, quando vender ações de sua empresa de foguetes, a SpaceX, ao público pela primeira vez. Analistas esperam que a oferta pública inicial seja um marco histórico da bolsa de valores.
ht/le (AP, Reuters, ots)