O que estão compartilhando: vídeo que mostraria a polícia de imigração dos Estados Unidos prendendo um cidadão norte-americano erroneamente. A situação é gravada por um vizinho, que tem a casa invadida após os agentes perceberem que estão sendo filmados.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso, pois o vídeo é antigo e não tem relação com a polícia de imigração. A postagem associa a gravação a fatos recentes, como a morte de uma mulher norte-americana por agentes de imigração em Minneapolis, nesta quarta-feira, 7. O vídeo compartilhado, no entanto, foi publicado em 2019.
O influenciador Thiago dos Reis, responsável pela publicação do conteúdo fora de contexto, foi procurado. Ele não retornou até o encerramento desta checagem.
Saiba mais: em um vídeo publicado nas redes sociais, Thiago comenta um vídeo que aparenta mostrar um homem sendo detido. O influenciador narra a situação da seguinte maneira:
"Isso aqui é Estados Unidos do [presidente Donald] Trump. Polícia de imigração do Trump estava prendendo um cidadão estadunidense erroneamente. Aí um vizinho começou a filmar a polícia. O que que a polícia faz? Invadem a casa do cara, sem mandado, e prendem o cara que está filmando. Isso aí é ditadura. Lembrando que a polícia do Trump ontem assassinou uma cidadã estadunidense."
A gravação, no entanto, não é recente. Por meio de uma busca reversa (veja aqui como fazer), o Estadão Verifica localizou o mesmo vídeo publicado no Facebook em 9 de setembro de 2019. Nessa época, Trump cumpria o seu primeiro mandato. Veja abaixo.
"Divulgue amplamente este abuso de poder flagrante por parte da polícia. Antes deste vídeo, fui informado que não podia sair de casa nem gravar o que estava acontecendo", escreve a legenda.
A filmagem foi arquivada no Internet Archive alguns dias após a publicação, no dia 13 de setembro daquele ano (veja aqui). No Facebook, a postagem acumulou mais de 900 mil visualizações.
Em 2021, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) de Ohio entrou em um processo contra a polícia de Columbus pela prisão de Nick Pettit, homem que filmou o episódio (veja aqui).
Segundo a denúncia, o caso ocorreu em abril de 2019, quando oficiais da SWAT cumpriam um mandado de busca em uma casa vizinha. O policiais teriam batido no rosto de um adolescente que estava cooperando, ato que motivou a gravação de Nick.
A SWAT é uma unidade tática especial das polícias locais americanas. No caso de 2019, eram agentes da polícia da cidade de Columbus. Não há relação com o ICE, a agência federal de imigração dos Estados Unidos.
O documento relata que os policiais exigiram que Nick entrasse em casa. Ele não entrou e permaneceu filmando. De acordo com a denúncia, Pettit foi preso sob acusação de conduta imprópria em situação de emergência.
Como resultado do processo, a cidade de Columbus concordou em pagar US$ 20 mil a ele (veja aqui e aqui). Em comunicado, Nick disse que "não se trata de dinheiro, mas sim de responsabilização".
Thiago associa a gravação a fatos recentes, como a morte da cidadã norte-americana Reneé Nicole Good. Ela foi morta a tiros por agentes de imigração em Minneapolis no último dia 7.
O caso ocorreu em meio a ações de repressão à imigração do governo de Trump. O Departamento de Segurança Interna (DHS) trata o episódio como legítima defesa, mas a versão é contestada por autoridades locais.
O governador de Minnesota, Tim Walz, criticou duramente a versão apresentada pelo Departamento de Segurança Interna. Em publicação na rede social X, classificou a narrativa oficial como "propaganda" e disse ter assistido aos vídeos do incidente. Segundo ele, o Estado garantirá uma investigação "completa, justa e rápida" para assegurar responsabilização.
Como lidar com postagens do tipo: para verificar o vídeo compartilhado, o Verifica recorreu à busca reversa. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a descobrir se aquela mídia já foi compartilhada antes na internet, em quais sites e em qual contexto. Veja aqui o passo a passo de como fazer.