Vídeo em que jovem diz ter a 'vida perfeita' não foi gravado por suspeito da morte do cão Orelha

CONTEÚDO FOI PUBLICADO COMO UMA ENCENAÇÃO NO TIKTOK; DEFESA DISSE QUE GRAVAÇÃO NÃO FOI FEITA POR ADOLESCENTES SUSPEITOS

3 fev 2026 - 13h01

O que estão compartilhando: vídeo em que um adolescente que estaria envolvido na agressão contra o cão comunitário Orelha se manifesta. "Eu tenho a vida perfeita, minha família me ama, eu fui para Disney, eu tenho vários amigos, acha que eu vou estragar minha vida espancando um cachorro de rua?", diz o garoto.

Não há evidências de que vídeo gravado por rapaz seja de um dos suspeitos da morte do cão Orelha
Não há evidências de que vídeo gravado por rapaz seja de um dos suspeitos da morte do cão Orelha
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. A defesa de dois dos rapazes investigados disse à reportagem que o conteúdo não foi gravado pelos adolescentes suspeitos de participação no caso. O vídeo foi publicado originalmente com o título "POV" - uma trend no TikTok em que usuários geralmente fazem encenações. A conta que publicou o vídeo foi apagada da rede social.

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O nome de usuário presente na marca d'água inserida pela própria plataforma de vídeos também foi ocultado nas publicações virais. A reportagem procurou pela conta, mas ela havia sido apagada da rede social.

Outros comentários afirmaram em postagens que o conteúdo do jovem era criado por inteligência artificial, mas não foi possível encontrar indícios de geração digital na filmagem.

A Polícia Civil de Santa Catarina informou, em nota, que não confirma a imagem de investigados, "até porque o procedimento policial segue em sigilo, em decorrência de envolver adolescentes".

Defesa nega que imagem seja dos adolescentes

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Procurada pelo Verifica, a defesa de dois rapazes investigados disse que o "vídeo não traz o rosto de nenhum dos adolescentes supostamente envolvidos [caso do Orelha]" e indicou que o conteúdo poderia ter sido criado com IA.

No comunicado, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte lamentaram a exposição da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais sem que as investigações tenham sido concluídas.

Como mostrou o Estadão, os representantes legais dos adolescentes obtiveram na Justiça uma liminar para que plataformas digitais como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok excluam postagens com informações pessoais sobre os investigados.

Caso do Cão Orelha

O cachorro comunitário Orelha morreu no início de janeiro após ser agredido na Praia Brava, em Florianópolis. Como noticiou o Estadão, o cão precisou ser submetido à eutanásia devido a lesões graves na cabeça, segundo informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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Inicialmente, a Polícia Civil de Santa Catarina investigava quatro adolescentes supostamente envolvidos com as agressões. Contudo, a participação de um jovem foi descartada após a comprovação de que ele não estava no local no momento do crime.

No dia 26 de janeiro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência dos suspeitos, mas ninguém foi preso. Três familiares dos adolescentes foram indiciados pela Polícia Civil por coação de testemunha.

O caso do cachorro Orelha causou comoção nacional e mobilizou atos no Brasil no domingo, 1º de fevereiro. Os manifestantes protestaram contra os maus-tratos aos animais e pediam justiça pela morte do cão.

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