Vacinas não têm metais pesados nem elementos radioativos; vídeo mente sobre detecção com microscópio

IMUNIZANTES OFERTADOS À POPULAÇÃO PASSAM POR UMA SÉRIE DE TESTES QUE DETERMINAM SUA SEGURANÇA E EFICÁCIA

8 jul 2026 - 17h43

O que estão compartilhando: vídeo em que uma mulher apresentada como "doutora Liliana Zelada" afirma ter colocado vacinas em um microscópio biológico e detectado substâncias como óxido de grafeno, tântalo e elementos radioativos.

É falso que vacinas tenham óxido de grafeno e elementos radioativos
É falso que vacinas tenham óxido de grafeno e elementos radioativos
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. As vacinas ofertadas à população passam por uma série de testes que determinam sua segurança e eficácia. Não existe evidência de contaminação sistemática de vacinas com metais pesados e elementos radioativos. Especialistas confirmaram à reportagem que um microscópio biológico comum mostra estruturas celulares e partículas, mas não tem capacidade de detectar elementos químicos ou determinar a composição química do que está sendo observado.

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Saiba mais: O vídeo, uma entrevista concedida por Liliana Zelada à emissora boliviana Red Gigavision, foi compartilhado em uma página brasileira no Facebook. Ela fala que "todas as vacinas do calendário" da Bolívia estão contaminadas, além de citar nominalmente as vacinas da covid, do sarampo, influenza, dengue e do papilomavírus.

Ela diz que as pessoas estão ficando com sequelas graves pelo uso dessas vacinas e que, apesar de todos na Bolívia serem vacinados contra tuberculose, 70% da população tem a doença. Mas nenhuma dessas afirmações é verdadeira.

Liliana foi procurada, mas não respondeu. Ela não tem formação específica em vacinas ou infectologia - na verdade, se formou em endodontia, uma especialidade da odontologia.

Microscópio biológico não detecta elementos químicos

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Um microscópio biológico comum mostra formas e partículas, mas não determina a composição química de um produto. Para fazer isso, seriam necessários métodos analíticos especializados, como a espectroscopia.

É o que explica o infectologista e virologista Klinger Faíco, presidente do Comitê de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (Iras), Qualidade/Segurança e Resistência Antimicrobiana, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

"O que aparece no microscópio pode ser muita coisa banal", explicou, citando como exemplos bolhas, poeira e fibras ambientais. "Sem controle, preparo adequado e método analítico, é impossível concluir haver uma 'contaminação'".

Segundo o médico infectologista Daniel Prestes, não existe evidência científica documentada de contaminação sistemática de vacinas com as substâncias mencionadas no vídeo. Ele lembra que todas as vacinas passam por um rigoroso controle de qualidade, antes e depois da aprovação.

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"As agências regulatórias exigem documentação completa de todos os componentes, processos de fabricação e testes de pureza", explicou. "A presença de elementos radioativos ou metais pesados em quantidades detectáveis tornaria a vacina imediatamente reprovada nos testes de controle de qualidade obrigatórios".

Vídeo compartilha dados errados sobre Bolívia

Liliana afirma no vídeo que 70% da população boliviana estaria contaminada com tuberculose, o que está longe de ser verdade. De acordo com o Ministério da Saúde da Bolívia, a taxa de incidência da doença no país é de 91 casos a cada 100 mil habitantes. Em porcentagem, dá 0,091%.

Segundo Prestes, as afirmações de Liliana sobre esse tema demonstram "incompreensão sobre como as vacinas funcionam". Isso porque revisões sistemáticas abrangentes de centenas de estudos demonstram que as vacinas têm perfis de segurança bem estabelecidos. Quando eventos adversos graves ocorrem, são extremamente raros.

A imunização contra tuberculose é feita com a vacina Bacilo de Calmette-Guérin (BCG). Na Bolívia, é gratuita e aplicada no dia seguinte ao nascimento, a primeira que os bebês recebem.

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"A alegação de que '70% dos bolivianos têm tuberculose' não é pertinente. A vacina BCG não foi desenvolvida para prevenir 100% das infecções por tuberculose - seu principal objetivo é prevenir formas graves e disseminadas da doença, especialmente em crianças", afirmou. /COLABOROU TALITA BURBULHAN

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