O que estão compartilhando: que uma imagem que mostra uma jovem acendendo um cigarro com uma foto em chamas do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, teria sido tirada em meio aos protestos que ocorrem no país.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: falta contexto, porque o registro não foi feito no Irã, mas sim no Canadá. O jornal português Lusa conseguiu falar com a jovem que aparece na imagem. Ela de fato é iraniana, mas vive refugiada em Richmont Hill, uma cidade nas redondezas de Toronto. Melika Barahimi tem 23 anos e postou a foto no X (antigo Twitter), no dia 8 de janeiro, como uma forma de apoiar à distância os protestos que estão em curso em sua terra natal, desde o dia 28 de dezembro de 2025. O Estadão Verifica entrou em contato com a Barahimi, mas ainda não teve retorno.
Saiba mais: Viralizou nas redes sociais uma imagem que mostra uma jovem fazendo um protesto simbólico contra o regime político do Irã. Desde o final do ano passado, o governo iraniano enfrenta uma onda de protestos. Ela usa uma foto em chamas do líder local Sayed Ali Khamenei para acender um cigarro. Fumar é uma prática historicamente estigmatizada para mulheres na região.
Quem é a jovem da foto
No dia 8 de janeiro, a refugiada iraniana Melika Barahimi se juntou ao protesto simbólico em curso nas redes sociais de mulheres queimando fotos de Khamenei.
"Queria que fosse partilhada entre o meu povo, porque quero que saibam que ainda sou um deles apesar de ter sido obrigada a imigrar depois de o regime me ter condenado a anos de prisão por criticar Khamenei, mas agora estou preocupada que possam ameaçar a minha família", explicou Barahimi em uma entrevista ao jornal Lusa.
A foto se espalhou pelas redes sociais como um símbolo do levante popular no Irã e ganhou diferentes versões.
A viralização da imagem na internet levantou suspeitas sobre a veracidade do conteúdo. Em 9 de janeiro, em resposta a um usuário que questionou se o conteúdo era real, Barahimi postou o vídeo que deu origem à foto. Confira:
A gravação foi feita em um estacionamento. Atrás dela é possível ver o prédio da biblioteca pública da cidade de Richmond Hill.
De acordo com a mídia internacional, na cidade vive uma grande comunidade de iranianos refugiados. No último dia 10, moradores foram às ruas para demonstrar apoio às manifestações em curso no Irã (aqui e aqui).
Protestos no Irã
Passeatas no país começaram no final de dezembro em resposta a uma crise econômica, mas desde então se espalharam e cresceram em tamanho, alimentadas pela insatisfação contra o governo autoritário do Irã.
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Segundo ativistas, ao menos 2 mil pessoas morreram em todo o país desde o início dos protestos. Os números divergem e as informações são escassas, muito porque o regime vem bloqueando a internet.