Casa Branca divulga foto manipulada de manifestante presa

23 jan 2026 - 18h36

Governo diz que continuará a usar "memes", ao comentar sobre foto digitalmente alterada para mostrar mulher chorando; na imagem original, manifestante aparece com semblante tranquilo.A estratégia do governo americano diante das manifestações contra a repressão do governo Donald Trump à imigração passou pela manipulação da foto de uma ativista. A imagem alterada digitalmente e publicada pela Casa Branca na quinta-feira (22/01) mostra uma mulher envolvida na interrupção de um culto religioso no estado de Minnesota no último fim de semana chorando ao ser presa.

Uma versão anterior da imagem, também publicada por uma conta oficial do governo, mostrava a manifestante olhando calmamente para frente.

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Questionada sobre a publicação, a Casa Branca apontou para uma mensagem no X de Kaelan Dorr, vice-diretor de comunicações, que escreveu: "Os memes continuarão".

"MAIS UMA VEZ, para as pessoas que sentem a necessidade de defender reflexivamente os autores de crimes hediondos em nosso país, compartilho com vocês esta mensagem: a aplicação da lei continuará. Os memes continuarão. Obrigado pela atenção a este assunto", disse ele.

A mulher da foto, Nekima Levy Armstrong, também parece ter a pele mais escura na imagem alterada, conforme indica análise do jornal britânico The Guardian. Ela foi uma das três pessoas presas na quinta devido à manifestação que interrompeu os serviços religiosos na cidade de St. Paul.

Segundo levantamento de outubro do Poynter Institute, a conta da Casa Branca no X, que tem cerca de 3,5 milhões de seguidores, fez pelo menos 14 postagens usando IA desde o início do segundo mandato de Donald Trump.

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Minneapolis tem dia de greve geral

Centenas de empresas, principalmente nas cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul, fecharam as portas nesta sexta-feira (23/01) em Minnesota em protesto contra o governo Trump. Pessoas ficaram em casa sem ir ao trabalho ou à escola, ou até fizeram greve de fome, em demonstração de apoio ao que foi chamado de "dia da verdade e liberdade".

A greve geral faz parte dos protestos em reação à mais recente onda de deportações nos Estados Unidos, iniciada há cerca de seis semanas. Desde então, milhares de agentes da Imigração e Alfândega (ICE) têm percorrido as ruas geladas das cidades gêmeas com o , resultando em cenas de truculência como a morte da manifestante americana Renee Good, alvejada por três tiros em 7 de janeiro.

O nível de indignação dos protestos aumentou na quinta, quando agentes federais foram acusados de usar uma criança de 5 anos como isca para prender imigrantes. O superintendente das Escolas Públicas de Columbia Heights, onde Liam C.R. era aluno da pré-escola, disse que a criança e seu pai equatoriano — ambos requerentes de asilo — foram levados assim que chegaram à garagem de casa, na terça-feira.

Liam C. R. foi o quarto estudante do subúrbio de Minneapolis a ser retido por agentes de imigração nas últimas semanas, segundo as autoridades locais.

Além da greve, manifestantes marcaram presença do lado de fora do aeroporto de Minneapolis-St. Paul contra o uso das instalações para deportar pessoas presas em batidas de imigração, com os organizadores relatando 100 prisões.

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Prisões e pressão

A repressão à imigração do governo Trump já resultou em mais de 3.000 prisões em Minnesota, além de confrontos entre agentes federais e residentes, segundo levantamento do New York Times.

Autoridades federais deram a entender, nesta semana, que poderiam encerrar a campanha anti-imigração se líderes democratas como o governador Tim Walz e o prefeito Jacob Frey lhes dessem acesso às pessoas sujeitas à deportação nas prisões e cadeias de Minnesota.

O governo no estado solicitou uma ordem de restrição temporária para a operação do ICE que, se concedida por um juiz federal, suspenderia as batidas. Haverá uma audiência sobre o pedido na segunda-feira (26/01).

sf (AFP, ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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