Câncer: quando a observação ativa prevalece sobre o tratamento imediato

Os linfomas não Hodgkin indolentes são tumores de crescimento lento. Como parte deles é incurável, o tratamento é realizado quando o tumor progride a ponto de comprometer o organismo, provocar sintomas e debilitar a saúde do paciente

15 mai 2026 - 12h30

Neste ano, 12.560 casos de linfoma não Hodgkin deverão ser diagnosticados. Trata-se de um câncer do sangue que surge quando um tipo de glóbulo branco se multiplica de forma desordenada e se acumula nos gânglios linfáticos. É classificado como agressivo ou indolente, de acordo com a progressão.

Linfoma não Hodgkin indolente: entenda os sinais, riscos e como o tratamento focado em qualidade de vida garante bem
Linfoma não Hodgkin indolente: entenda os sinais, riscos e como o tratamento focado em qualidade de vida garante bem
Foto: estar ao paciente - Canva Fotos / Perfil Brasil

Os linfomas indolentes crescem lentamente, muitas vezes sem manifestações clínicas. Segundo o protocolo, se forem diagnosticados em fases iniciais, devem ser apenas monitorados. O tratamento ocorrerá caso haja evolução da doença associada ou não a alguma sintomatologia.

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"Os linfomas não Hodgkin indolentes são muitas vezes incuráveis. Para manter a qualidade de vida do paciente, são tratados quando se desenvolvem a ponto de causar obstrução em uma estrutura do organismo, complicações clínicas ou dor. A terapia visa manter a doença sob controle, proporcionando ao paciente uma longa sobrevida sem a presença de sintomas", explica o hematologista Eric Pena, da Oncologia D'Or.

Principais sinais e sintomas

  • Surgimento de caroços ou ínguas (gânglios inchados) na virilha, pescoço e axilas;
  • Febre sem motivo no final do dia;
  • Suor noturno;
  • Perda de peso maior que 10% sem causa aparente;
  • Sensação de cansaço ou fraqueza.

Atualmente, o arsenal terapêutico para a doença é bastante amplo. Os médicos podem prescrever imunoterapias, sobretudo para tratar os linfomas mais comuns como o folicular, o linfocítico e o marginal.

A doença

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o linfoma não Hodgkin ocupa a 11ª posição entre os tumores mais incidentes no Brasil, sem considerar o câncer de pele não melanoma. A doença afeta o sistema linfático — uma rede de pequenos vasos e gânglios que integra os sistemas circulatório e imunológico. Sua função é coletar e filtrar o líquido que se acumula nos tecidos, reconduzindo-o à corrente sanguínea.

O linfoma não Hodgkin engloba mais de 60 diferentes neoplasias. Os subtipos indolentes mais frequentes são:

  1. Folicular: Mais comum em adultos entre 50 e 60 anos; pode atingir a medula óssea.
  2. Linfocítico: Ocorre principalmente entre os 60 e 70 anos.
  3. Marginal: Associado às mucosas, podendo acometer órgãos como olhos, baço e estômago em adultos a partir dos 50 anos.

Quando o paciente não manifesta sintomas e é diagnosticado em estágios iniciais, o protocolo recomenda a observação ativa. "No começo, a pessoa é submetida mensalmente a exames físicos e de sangue. Na ausência da progressão do tumor, a realização dos exames é espaçada, podendo ocorrer a cada trimestre e, posteriormente, duas vezes por ano", observa o médico Eric Pena.

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Fatores de risco

Segundo o INCA, os principais fatores de risco incluem:

  • Imunidade comprometida: Doenças hereditárias, transplantes de órgãos, uso prolongado de drogas imunossupressoras, doenças autoimunes ou infecção pelo HIV.
  • Agentes infecciosos: Vírus Epstein-Barr, vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV-1) e a bactéria Helicobacter pylori.
  • Genética: Parentes de primeiro grau com a doença.
  • Exposição ambiental: Substâncias químicas (pesticidas, benzeno), radiação ionizante e ultravioleta.

Não há exames de rastreio específico para esse tipo de câncer. O acompanhamento médico regular favorece o diagnóstico precoce, pois esses tumores são frequentemente descobertos por acaso em exames de rotina.

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