Luiza Ramos, da RFI em Paris
O vice-reitor para Inovação, Relação com Empresas e Empregabilidade da Universidade de Coimbra, Nuno Mendonça, afirmou à RFI que a iniciativa representa uma nova etapa da presença da universidade no país, voltada para o setor industrial e empresarial do Brasil.
"Já temos um centro de estudos superiores instalado na Casa de Portugal, em São Paulo, desde 2024 (...) Agora estamos realizando um reposicionamento. Na Casa de Portugal, estamos mais direcionados aos alunos e à parte formativa, mas a partir de setembro vamos trabalhar mais a parte da inovação e do ecossistema empresarial brasileiro", diz o vice-reitor.
Para Mendonça, o Brasil oferece um ambiente estratégico para essa aproximação. "É uma evolução dessa presença em um mercado que é suficientemente grande e dinâmico", pontua, "o termo correto é ampliação, um incremento daquilo que é a oferta da Universidade de Coimbra para o brasileiro como um todo".
O acadêmico explica que o objetivo é colocar a pesquisa e os pesquisadores da Universidade de Coimbra em contato com empresas brasileiras.
Parcerias em saúde, agronegócio e tecnologia
O vice-reitor também destacou que a universidade quer aprofundar cooperações já existentes com instituições brasileiras em diferentes áreas econômicas. "Seja com a Fiocruz na área da saúde, seja com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) na área das petroquímicas, seja com o agronegócio, com o turismo ou com a economia azul", enumerou.
A parceria com a Fundação Oswaldo Cruz é uma das mais antigas. Segundo Mendonça, a colaboração tem sido revitalizada nos últimos anos e envolve iniciativas concretas de pesquisa e inovação.
"Trabalhamos em formação conjunta, na introdução do medicamento antimalária produzido pela Farmanguinhos no mercado europeu por meio de Portugal, e avaliamos parcerias na área da radiofarmácia para uma oferta ao SUS (Sistema Único de Saúde)", afirmou.
Ele acrescenta que a experiência na área da saúde poderá servir de modelo para novas cooperações em outros setores da economia brasileira.
Troca de conhecimento em duas direções
Embora Coimbra seja tradicionalmente associada à formação de estudantes brasileiros, Mendonça destaca que a relação vai além da mobilidade acadêmica.
"O Brasil tem aqui um ecossistema singular que pode ser útil a toda a comunidade de países de língua portuguesa", afirmou.
Segundo ele, o dinamismo econômico brasileiro e a experiência de empresas nacionais em inovação devido à proximidade com o mercado americano, também representam oportunidades de aprendizado para Portugal.
"Nós podemos nos beneficiar e aprender novos desafios e novas fronteiras de conhecimento que nos ajudem a desenvolver novas linhas de pesquisa", diz.
"A maior universidade brasileira fora do Brasil"
Atualmente, cerca de 5 mil estudantes brasileiros frequentam a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa. O vice-reitor acredita que a nova estrutura em São Paulo poderá fortalecer ainda mais essa ligação histórica, sobretudo ao aproximar a universidade do setor produtivo brasileiro.
"Costumamos brincar que somos a maior universidade brasileira fora do Brasil. Existe uma ligação histórica muito forte entre Coimbra e o Brasil. Durante séculos, Coimbra foi a única universidade em todo o espaço lusófono. Sabemos que há um mercado em grande crescimento, com uma população jovem expressiva, o que pode nos ajudar a ampliar ainda mais o número de estudantes brasileiros".
Para Mendonça, o crescimento da população jovem brasileira e o fortalecimento das parcerias acadêmicas e empresariais podem ampliar ainda mais a presença de estudantes brasileiros na instituição.
"Se trabalhamos com empresas do agronegócio que precisam de pesquisa, e se tivermos pesquisadores ou alunos de doutorado brasileiros que possam aprender conosco e levar esse conhecimento de volta para o Brasil, isso será uma contribuição importante para o desenvolvimento econômico", afirmou.