O coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins mantinha um grupo de WhatsApp com Cléber Azevedo dos Santos, apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta nas investigações da Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira, 21, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
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De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, apuradas junto ao MP-SP, o grupo, chamado "Aniversário general", permaneceu ativo pelo menos até 21 de novembro de 2023 e reunia Pereira Martins e Cléber Azevedo dos Santos. Segundo os promotores, as mensagens tinham caráter pessoal e social, com referências a confraternizações e celebrações.
Embora citado nas investigações, o coronel aposentado não foi alvo dos mandados cumpridos durante a operação desta terça-feira. O Terra pediu manifestação da corporação sobre as menções ao coronel e busca contato direto com ele.
As apurações indicam que a relação entre os dois ia além de contatos esporádicos. Os investigadores afirmam que, mesmo após Cléber se tornar alvo de operações policiais, como a Operação Fractal, no fim de 2022, o vínculo entre ambos foi mantido.
Ainda conforme o MP, mensagens obtidas durante a investigação mostram que Pereira Martins teria se colocado à disposição para auxiliar os investigados e intermediar contatos com autoridades e políticos, entre eles o ex-candidato à Prefeitura do Guarujá Coronel Rogério (PRTB), nas eleições municipais de 2024.
Os promotores também tiveram acesso a fotografias que mostram o coronel aposentado e Cléber participando de uma confraternização com bebidas alcoólicas.
Operador financeiro da facção
Na investigação, Cléber Azevedo dos Santos é descrito como "companheiro" do PCC --denominação diferente de "irmão", utilizada pela facção para integrantes com outro nível de participação. Segundo o MP-SP, ele atuava principalmente na estrutura financeira da organização criminosa.
Os promotores também destacam a proximidade de Cléber com Leonardo Monteiro Moja, conhecido como "Léo do Moinho", preso em agosto de 2024 durante a Operação Salus et Dignitas.
Segundo o Ministério Público, Cléber também é suspeito de movimentar recursos da organização criminosa por meio de grandes entregas de dinheiro em espécie, transferências bancárias e utilização de empresas e contas de terceiros.
A investigação ainda aponta que, além de Pereira Martins, os operadores do PCC mantinham relações com o ex-comandante-geral da PM e da Rota José Augusto Coutinho e com um homem identificado como "Patrício", citado em planilhas da facção como "cliente".
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Cléber teria solicitado informações sobre o saldo financeiro do esquema e afirmado que precisava dos recursos para "pagar a polícia", segundo o Ministério Público.
Operação
A Operação Janus cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra investigados por integrar uma estrutura financeira clandestina que, segundo o MPSP, atuava como braço logístico do PCC.
De acordo com o MP, o grupo investigado prestava serviços de "bancarização" para integrantes da facção, utilizando empresas e operadores financeiros para dar aparência de legalidade a recursos obtidos pelo crime organizado.
Entre os principais beneficiários do esquema estaria Leonardo Monteiro Moja, conhecido como "Léo do Moinho", apontado como chefe do tráfico na Favela do Moinho, na região central de São Paulo, preso em 2024 durante a Operação Salus et Dignitas.