Sem citar Kassio, Gilmar Mendes critica condução no TSE nas eleições

Segundo Gilmar, foi o colegiado do TSE que garantiu uma disputa dentro das regras, não quem conduziu

3 nov 2026 - 08h28
(atualizado às 08h34)
Resumo
O ministro do STF Gilmar Mendes criticou a postura do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, nas eleições de 2026, cobrando equidistância e afirmando que omissões abrem brecha para ataques ao sistema eleitoral. Segundo Gilmar, coube ao colegiado assegurar o pleito, marcado por tensões entre Lula e Flávio Bolsonaro. O clima culminou na intervenção do STF para estender a votação após demora de Marques, ato usado por Flávio para questionar o resultado, embora a medida não tenha afetado o desfecho.
O ministro Gilmar Mendes determinou participação de Renan Santos em debate da Globo
O ministro Gilmar Mendes determinou participação de Renan Santos em debate da Globo
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

Sem citar o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que "de quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição supõe". Segundo Gilmar, foi o colegiado do TSE que garantiu uma disputa dentro das regras.

"As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam. Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático", iniciou Gilmar, em uma publicação nas redes sociais.

Publicidade

O ministro afirmou, contudo, que "a institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição".

"De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe. Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável", disse o ministro.

Gilmar ainda terminou afirmando que "desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel". "A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado.

A disputa eleitoral de 2026 ocorreu sob intensa troca de acusações e ações entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com os aliados do primeiro reclamando da condução de Kassio Nunes Marques e de André Mendonça, vice da Corte Eleitoral, e os apoiadores do segundo apontando a interferência do Supremo Tribunal Federal em decisões estritamente eleitorais.

Publicidade

No dia da eleição, chamou atenção o episódio que culminou com a intervenção do ministro Cristiano Zanin, do STF, determinando a prorrogação da votação em duas horas, após pedidos da campanha de Lula e de Flávio não serem apreciados por Nunes Marques em tempo hábil.

A prorrogação acabou causando ainda mais confusão, já que a maior parte das urnas já estavam fechadas quando a ordem foi dada, já após as 17h.

O tema acabou sendo usado por Flávio Bolsonaro em uma carta com teor golpista produzida após deixar o País para contestar o resultado da eleição.

Apesar disso, o resultado não foi afetado pela decisão, já que apenas 34,7 mil votos foram registrados após o horário padrão de encerramento da votação, menos do que em 2022.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se