Após fugir para os Estados Unidos devido a investigações do STF, o senador derrotado Flávio Bolsonaro lançou Rogério Marinho à presidência do Senado como resistência a Lula. Sem reconhecer formalmente o resultado das urnas, Flávio rejeitou acordos com Davi Alcolumbre e afirmou esperar nova disputa ao Planalto antes de 2030, apostando em uma crise econômica que derrubará o atual governo. Ele viajou após ordem judicial para apreensão de seus passaportes sob suspeita de lavagem de dinheiro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais do último domingo, 25, defendeu nesta sexta-feira, 30, a indicação de Rogério Marinho (PL-RN) ao comando do Senado e afirmou que espera concorrer à Presidência da República "antes de 2030?. A aposta de Flávio Bolsonaro é que "o Brasil vai quebrar" e isso derrubará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do fim do mandato.
Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após perder a disputa ao Palácio do Planalto. Ele deixou o País pela Argentina e pegou um voo para os Estados Unidos. Na live, ele também voltou a falar sobre a fuga.
"Sinceramente, com o atual cenário, com as pessoas que estão no Supremo Tribunal Federal, e que estão no TSE, eu, de verdade, tenho dificuldade de acreditar que vai haver algo de efetivo que possa ser feito ali, que o direito seja respeitado, que a lei valha para todos nesse momento. E a única saída que nós temos é a nossa unidade e a gente fazer do Congresso Nacional a nossa trincheira, em especial o Senado Federal", disse Flávio, sem reconhecer a vitória de Lula, mas indicando que não enxerga mais que possa alterar o resultado das urnas por meio de ações na Justiça. Flávio também voltou a questionar a votação do petista, sem apresentar provas.
Foi nesse momento que Flávio indicou Rogério Marinho para a disputa à Presidência do Senado. Marinho teria que concorrer com Davi Alcolumbre, que tem acenado com uma anistia ou indulto a Jair Bolsonaro em troca de apoio da oposição. O ex-presidenciável rejeitou um acordo.
"A pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal. Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a Presidência do Senado. É a única forma ali de conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país", disse ele, completando: "Eu vou a partir de agora voltar, ficar ativo aqui para trocar ideia com vocês, exercer essa liderança que vocês me deram, fazer o que tiver ao meu alcance para termos essa resistência no Congresso Nacional com a eleição principalmente de Rogério Marinho na presidência do Senado. Essas tentativas de negociação usando como moeda de troca a liberdade do presidente Bolsonaro são nojentas".
O filho de Jair Bolsonaro afirmou que se Lula fizer o que prometeu na campanha "o Brasil vai quebrar ainda mais rápido". "Então infelizmente o Brasil está fadado a quebrar e eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina, então eu quero pedir para vocês aqui, fiquem firmes, não acabou o jogo", disse.
Além de se colocar como líder da oposição, Flávio acenou com a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República. "Isso me dá muita consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República, eu não estou falando de 2030 não, eu estou falando de antes disso", afirmou.
Relembre como foi a fuga de Flávio Bolsonaro
Flávio foi para os Estados Unidos após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir que ele deveria entregar seus passaportes às autoridades, no último domingo, 25. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
No pedido feito pela Polícia Federal ao ministro, foi citado o "risco concreto de Evasão". A PF também justificou a medida pelo "precedente concreto" de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador, que está nos Estados Unidos enquanto é investigado. A determinação foi no âmbito do inquérito no qual Flávio é investigado, junto a Willer, por lavagem de dinheiro.
A aeronave que levou o candidato derrotado, as filhas e a esposa, saiu da Argentina, no aeroporto de Puerto Iguazú, fez escala no Equador e chegou nos Estados Unidos na última terça-feira.
Na quarta-feira, 28, Flávio compartilhou uma carta na qual se autodeclarava 'presidente eleito' do Brasil, e agradecia Trump e Javier Milei, presidente da Argentina. Depois, apagou a postagem e divulgou uma segunda versão, trocando o termo para "líder" do País.