Um vídeo viral que mostra uma urna eletrônica com tecla colada omite a existência de equipamentos de contingência, segundo o Estadão Verifica. Embora atos de vandalismo tenham ocorrido no segundo turno das Eleições 2026, a votação não foi inviabilizada. A Justiça Eleitoral reservou quase 50 mil urnas sobressalentes e substituiu 1.551 aparelhos danificados em todo o país sem perda de votos, garantindo o fluxo normal do pleito. Danificar urnas é crime punível com até dez anos de reclusão.
O que estão compartilhando: um vídeo de uma urna eletrônica que teve a tecla do número 2 colada para inviabilizar a votação em Flávio Bolsonaro.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. Casos de urnas vandalizadas foram observados ao longo do segundo turno das Eleições 2026, mas isso não inviabilizou a votação nas seções afetadas. Quando ocorre algum imprevisto com o equipamento, ele é substituído. Neste ano, havia quase 50 mil urnas de contingência, preparadas para uso em caso de necessidade.
Saiba mais: Um vídeo mostra o teclado de uma urna eletrônica do modelo 2020 e uma mão pressionando as teclas. Há um grupo de pessoas ao redor do equipamento, mas o enquadramento não permite identificá-las. É possível, porém, ouvir a conversa. "Aqui tem uma colinha", diz uma mulher enquanto passa o dedo perto da tecla 2. "Pra poder fraudar o 22, pra pessoa não conseguir apertar 22", afirma ela, com a concordância dos demais. ?Só pode apertar o 13."
Um usuário do Facebook compartilhou o vídeo na tarde do segundo turno das eleições, no dia 25 de outubro. Houve mais de 1,8 milhão de visualizações. O Estadão Verifica não conseguiu identificar o local onde o vídeo foi gravado.
Reserva de equipamentos
A Justiça Eleitoral reservou 48.815 urnas para entrarem em operação em caso de eventuais imprevistos nas Eleições 2026. "Esse procedimento ocorre em todos os pleitos para assegurar que eleitoras e eleitores possam exercer seu direito ao voto com tranquilidade", disse o Tribunal Superior Eleitoral.
Ao longo do segundo turno, vieram a público notícias de urnas eletrônicas vandalizadas por eleitores. No município de Chapadão do Sul (MS), um eleitor colou as teclas 1 e 3, o que inviabilizaria o voto em Lula. Uma das 28 mil urnas utilizadas na eleição na cidade de São Paulo (SP) teve as teclas coladas com Super Bonder. Em todos os casos, a Justiça Eleitoral foi acionada, as máquinas danificadas foram trocadas e a eleição seguiu normalmente.
De acordo com a Lei das Eleições (nº 9.504/1997), é crime danificar intencionalmente uma urna eletrônica, com previsão de reclusão de cinco a dez anos.
O TSE, órgão máximo da Justiça Eleitoral e que tem atuação nacional, informou que as ocorrências são tratadas de forma local pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Um balanço geral do TSE, publicado às 20h do dia 25 de outubro, informou que 1.551 urnas precisaram ser substituídas ao longo do segundo turno em todo o país, o que equivale a 0,28% do total de equipamentos disponíveis (499.248), incluindo os de contingência (48.815).
O TSE explicou que, no ato da substituição, não se perdem os votos até então registrados, porque o flash card e o disquete de votação da urna com defeito são transferidos para a urna de contingência. Cabe aos mesários da seção eleitoral registrar em ata o incidente.