BRASÍLIA - O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou, na manhã desta segunda-feira, 2, um requerimento de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades tem que envolvem o Banco Master e Banco de Brasília (BRB).
Esse requerimento centra em apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB ao Master entre janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio. O pedido tem 201 assinaturas - eram necessários, no mínimo, 171 apoios.
A oposição no Congresso trabalha para aprovar a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, com deputados e senadores, para investigar as operações do Banco Master.
Essa iniciativa, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), tem mais de de 230 assinaturas - ele pretende protocolar esse requerimento nesta terça-feira, 3, um dia depois da retomada das atividades legislativas. Apenas um petista assinou esse texto: o senador Fabiano Contarato (ES). O foco também é a operação financeira entre o BRB e o Master
Diferentemente do caso de Jordy, o PT apoia a CPI de Rollemberg, que se antecipou a Jordy no protocolo. A sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu 42 assinaturas; do lado do PL, 34 deputados apoiaram essa proposta.
"Esse requerimento é muito sólido", disse o então líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que aponta esse como o maior contraste em comparação ao texto de Jordy. Lindbergh deixará a liderança em fevereiro para dar lugar a Pedro Uczai (SC).
No requerimento, Rollemberg aponta cinco elementos para a instauração da CPI: a existência de fraude bilionária e sofisticação do esquema, risco e dano ao patrimônio público, impacto em fundos previdenciários e servidores, participação e conexão político-financeira e o dever constitucional de investigar do Parlamento brasileiro.
"O Congresso Nacional deve fornecer as respostas que a população brasileira exige", afirma Rollemberg.
O parlamentar já foi governador do Distrito Federal entre 2015 e 2018. O PSB de Rollemberg é oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) e deverá indicar o ex-interventor Ricardo Cappelli como candidato na disputa deste ano.
Como mostrou o Estadão, nem o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e nem o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizam interesse, neste momento, de instaurar a CPI.
Em reunião com líderes para discutir a pauta da Câmara, Motta e representantes de partidos da Casa argumentaram que o regimento impede a instalação da CPI neste momento, pois há outros requerimentos e CPIs em andamento na frente da "fila". Esses mesmos líderes, porém, sinalizaram que, se esse requerimento avançar, a Câmara deverá ter mais protagonismo.