A operação da Polícia Federal desta sexta-feira, 15, da qual o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL) é alvo, vem a se somar a uma série de intercorrências que aconteceram em sua vida política este ano. Castro começou 2026 ocupando o posto de chefe do Executivo do Palácio Guanabara, renunciou ao cargo, ficou inelegível e, agora, é alvo de um mandato de busca e apreensão.
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Relembre a cronologia dos acontecimentos:
Renúncia de Castro
Claudio Castro renunicou ao governo do Rio de Janeiro em 23 de março, um dia antes de ter sua chapa julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder nas eleições de 2022. Na ocasião, Castro afirmou que estava deixando o cargo para se pré-candidatar ao Senado.
Castro chegou ao Guanabara primeiro como vice-governador de Wilson Witzel, eleito em 2018 pelo PSC. Em 2020, passou a governador depois do impeachment do aliado por crimes de responsabilidade, e foi reeleito em 2022, nas urnas, ainda em primeiro turno.
Ao renunciar, Castro fez um discurso em que se vangloriou pela megaoperação Contenção, que terminou com 122 mortos no Complexo da Penha.
"Fizemos a maior operação do mundo aqui no Rio de Janeiro. Depois de muitos anos, vencemos a pior guerra que se pode dizer na segurança pública, que é a guerra da narrativa. Fizemos o cidadão na ponta ser ouvido. E esse cidadão pôde dizer que ele era favorável à polícia", disse.
Com a renúncia, o cargo de governador do Rio de Janeiro virou alvo de disputa, já que o vice de Castro, Thiago Pampolha (MDB), havia renunciado em 2025 para assumir um posto no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O cargo está ocupado pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, em mandato-tampão.
Inelegibilidade
Um dia após renunciar, o TSE formou maioria para condenar Claudio Castro por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. Assim, ele se tornou inelegível até 2030.
O Tribunal analisou denúncias do Ministério Público Eleitoral e da coligação que apoiou Marcelo Freixo, adversário de Castro na disputa pelo governo do Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram utilizadas para a contratação de cabos eleitorais com recursos do governo estadual durante a campanha.
Teriam sido criados 27 mil cargos irregulares comissionados para empregar os cabos eleitorais e favorecer a reeleição do então governador em 2022.
Votaram pela condenação a relatora, Isabel Gallotti, e os ministros Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques Neto, Estela Aranha e Cármen Lúcia. Eles viram uso da máquina pública nas contratações, o que configura abuso de poder político e econômico.
Os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça divergiram. Nunes Marques votou pela absolvição de todos os acusados, por não identificar provas do uso da máquina pública. Já Mendonça entendeu que o abuso está comprovado, mas avaliou que não há elementos suficientes que vinculem Castro ao esquema.
Operação da PF
Nesta sexta-feira, 15, Claudio Castro foi um dos alvos da Operação Sem Refino, que investiga a atuação do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), conglomerado do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Os policiais cumpriram o mandado de busca e apreensão na casa de Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, bairro na Zona Oeste da capital. A defesa do ex-governador ainda não se manifestou sobre o caso.
A ordem judicial foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao todo, a PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
A Refit entrou no radar das autoridades após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto deste ano. As autoridades investigam se o combustível da Refit abasteceria redes de postos de gasolina controladas pelo PCC. (*Com informações do Estadão Conteúdo)