O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, decidiu contar, em livro, o que viveu entre abril de 2021 e janeiro de 2023, no comando da Força Aérea Brasileira.
O tenente brigadeiro foi uma das testemunhas de acusação no processo em que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Baptista Júnior o comando da FAB em meio a uma crise institucional nos comandos militares.Naquele período, o brigadeiro testemunhou, no Palácio da Alvorada, o comandante do Exército, Marco Antonio Freire Gomes, ameaçar o ex-presidente, após Bolsonaro contar sua intenção de cancelar a eleição e intervir na Justiça:
"Se o senhor fizer isso, vou ter que lhe prender". "Não é uma frase capaz de passar incólume à memória dos que estavam presentes. O ambiente foi imediatamente tomado por raro silêncio", escreveu o brigadeiro, sobre o episódio que ele revelara ao depor no processo do golpe, no Supremo Tribunal Federal.
Piloto de caça com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea, que iniciou em 1975, Baptista Junior narra com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão - não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.
O testemunho do oficial foi crucial nos autos da ação penal 2668, no Supremo Tribunal Federal, que impôs ao ex-presidente a pena de 27 anos e três meses de reclusão. O julgamento foi concluído em setembro do ano passado.
Baptista Júnior é filho de Carlos de Almeida Baptista, tenente brigadeiro que comandou a Aeronáutica entre 1999 e 2003. O oficial da reserva ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em 1975, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epscar). Até assumir o comando da Força, acumulou quatro mil horas de voo, com especialidade em ações de reconhecimento e caça.
Baptista Júnior assumiu o comando da Aeronáutica em abril de 2021, após uma crise deflagrada pela demissão do então ministro da Defesa Fernando Azevedo. A saída do ministro provocou uma debandada no comando das três Forças.
Foi a única vez desde a redemocratização que os três comandantes militares deixaram seus postos ao mesmo tempo, sem que houvesse uma mudança de gestão no governo federal.