Cuidado com desinformação sobre retirada de vesícula e vitaminas

SUPLEMENTAÇÃO NÃO É NECESSÁRIA PARA TODOS OS QUE FAZEM A CIRURGIA; DEFICIÊNCIA PODE OCORRER EM ALGUNS CASOS E É IDENTIFICADA POR EXAMES

18 ago 2026 - 18h01

O que estão compartilhando: postagens nas redes sociais afirmam que pacientes submetidos a cirurgia de retirada da vesícula biliar precisam fazer a reposição de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) obrigatoriamente.

Card de checagem do Estadão Verifica
Card de checagem do Estadão Verifica
Foto: Reprodução / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A colecistectomia, procedimento cirúrgico que retira a vesícula biliar, não impõe a necessidade automática de suplementação vitamínica. Segundo especialistas ouvidos pelo Verifica, o fígado continua a produzir a bile de forma ininterrupta, e o organismo passa por um processo de adaptação funcional após a operação. A suplementação só é indicada em situações clínicas específicas, diante de sintomas de má absorção comprovada ou diagnósticos laboratoriais de deficiência.

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Saiba mais: postagens em redes sociais sustentam que a perda do órgão inviabiliza a absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, o que tornaria obrigatória a suplementação em cápsulas para pacientes operados. Especialistas, contudo, rebatem a alegação.

A nutricionista Gabriela Santana, do Instituto Nutrição Comportamental (INC), disse que a função da vesícula é apenas armazenar a bile fabricada pelo fígado. "Depois da cirurgia, o fígado continua produzindo a bile continuamente, e ela segue chegando ao intestino. O que muda é apenas a dinâmica de armazenamento e liberação", explica.

O nutricionista Vinícius Antônio, graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), destacou que há capacidade adaptativa do sistema digestivo e afastou a obrigatoriedade de fórmulas prontas. "A vesícula biliar é responsável por armazenar a bile, que atua como um emulsificante para digerir refeições ricas em gorduras e facilitar a absorção de vitaminas como A, D e E. Não é preciso suplementar de forma automática, porque o corpo passa por uma adaptação gradual ao longo do tempo."

Suplementação depende de critérios clínicos individuais

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A indicação de reposição vitamínica deve ser avaliada caso a caso. Vinícius Antônio observou que a conduta clínica depende da investigação de sintomas e de parâmetros laboratoriais. "Nem sempre a suplementação é necessária. É preciso analisar sintomas e exames para fechar o diagnóstico. Essa intervenção entra em cena quando há queda brusca nos níveis séricos, sintomas clínicos como esteatorreia (alta concentração de óleo nas fezes) ou em pacientes idosos, que naturalmente já apresentam uma absorção fisiológica reduzida."

Gabriela ressaltou que o procedimento cirúrgico isolado não necessariamente provoca deficiências nutricionais. "A reposição não é rotineira e deve ser avaliada individualmente durante o acompanhamento nutricional. O ponto principal é entender que a retirada da vesícula, por si só, não representa uma sentença de desnutrição nem impõe a obrigatoriedade de suplementar."

De acordo com os especialistas, o suporte vitamínico costuma ser reservado a quadros de má absorção severa, perda de peso não intencional, exames de sangue alterados ou histórico de problemas gastrointestinais associados, como doença de Crohn, doença celíaca e síndrome do intestino curto.

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