Na propaganda de TV, a segurança pública polarizou a disputa pelo governo de SP. Tarcísio de Freitas focou em ações policiais e sociais no centro da capital para defender que "a Cracolândia acabou", apesar de admitir usuários dispersos. Em contrapartida, Fernando Haddad criticou a gestão atual, prometeu combate às facções destacando sua atuação federal e nacionalizou o debate ao associar o rival a Flávio Bolsonaro, contrapondo-o a Lula para reforçar sua credibilidade na área.
Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) colocaram a segurança pública no centro da propaganda na televisão desta quarta-feira, 2. O governador dedicou praticamente todo o programa para argumentar que "a Cracolândia acabou". Já o petista atacou os resultados do atual governo estadual, prometeu uma agência contra facções e buscou usar sua atuação no Executivo federal como credencial para comandar a área em São Paulo.
Tarcísio construiu o programa em torno de uma narrativa de antes e depois. A propaganda recuperou mais de três décadas de presença da Cracolândia no centro da Capital, exibiu antigos usuários, comerciantes e moradores relatando medo, violência e abandono e atribuiu aos governos anteriores respostas pontuais que teriam apenas deslocado o problema de uma região para outra.
O ponto central foi apresentar a atual gestão como aquela que fez o que os antecessores não conseguiram. A campanha destacou operações contra traficantes e estabelecimentos que vinculou ao PCC, a desarticulação da Favela do Moinho, o reforço do policiamento e, na área social, a abertura do Hub de atendimento e de casas terapêuticas. Também exibiu antigos dependentes relatando recuperação e moradores afirmando que voltaram a circular pela região.
A propaganda terminou com sua afirmação mais categórica: "A Cracolândia acabou". Antes disso, porém, o próprio Tarcísio reconheceu que ainda há dependentes usando drogas em outras partes da cidade e afirmou que o trabalho continuará.
O programa de Haddad começou com depoimentos sobre medo da violência e a avaliação de que "o crime é mais organizado do que o governo", antes de acusar Tarcísio de ter prometido avanços na segurança e não entregá-los. "Você já deu oportunidade a quem prometeu e não entregou. Eu já mostrei que sei como fazer e vou fazer", afirmou.
Para responder à imagem de que a segurança seria um terreno mais favorável a Tarcísio, a propaganda buscou dar a Haddad uma credencial própria na área. O programa atribuiu ao candidato o comando da Operação Carbono Oculto e afirmou que a ação bloqueou mais de R$ 30 bilhões de facções que seriam lavados no mercado financeiro. "Nós vamos ser duros com o crime e igualmente duros com as causas do crime", disse Haddad.
Somente no trecho final a campanha levou a disputa estadual para o cenário nacional. Ao reproduzir uma fala de Haddad no Roda Viva, o programa chamou Flávio Bolsonaro (PL) de "candidato de Tarcísio" e exibiu o petista fazendo acusações contra o senador e sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em seguida, Haddad contrapôs Flávio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vinculando, no encerramento, os dois lados da disputa paulista aos respectivos presidenciáveis.