Mendonça nega irregularidades em relatório da PF que apontou Moraes em mensagens com Vorcaro

Manifestação foi apresentada dentro do prazo dado por Fachin; Moraes acusa colega de conduzir investigação ‘ilegal’ por ‘vingança’

15 set 2026 - 10h38
(atualizado às 11h03)
Ministro André Mendonça, do STF
Ministro André Mendonça, do STF
Foto: Alejandro Zambrana/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma manifestação nesta terça-feira, 15, em resposta ao pedido de esclarecimentos feito pelo presidente do Supremo, Edson Fachin. Mendonça negou irregularidades na condução da investigação do caso Banco Master, que levou à identificação de Alexandre de Moraes como interlocutor de mensagens de Daniel Vorcaro, segundo informações do Estadão.

A manifestação veio a público após Moraes apresentar defesa a Fachin, e acusa Mendonça de realizar uma investigação “inconstitucional e ilegal” motivada por “vingança”, e com finalidade político-eleitoral, segundo o ministro.

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Moraes disse ainda que o relatório da Polícia Federal seria “duplamente nulo” e resultado de um direcionamento das investigações que teriam como objetivo incriminá-lo.

Mendonça afirmou em sua resposta que as medidas fizeram parte da supervisão judicial da investigação. O ministro havia determinado para a PF que avançasse na identificação das pessoas mencionadas em diálogos e documentos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que decidiu chamar pessoalmente delegados ao gabinete depois que documentos da corporação apontaram menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em material ligado ao banqueiro.

As manifestações de Moraes e Mendonça foram apresentadas no âmbito do procedimento assumido por Fachin, que passou a conduzir o caso após retirar de Mendonça a relatoria da apuração sobre as circunstâncias que levaram à produção do relatório da PF envolvendo Moraes. O presidente da Corte abriu prazo para manifestações de Moraes, Mendonça, Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal sobre diferentes aspectos da investigação.

Entre os pontos levantados por Fachin estavam as circunstâncias em que Mendonça determinou que a PF identificasse as pessoas mencionadas nos documentos extraídos do celular de Vorcaro.

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Mendonça concentrou sua manifestação nesse ponto, afirmando que a intimação dos delegados foi feita presencialmente em seu gabinete no dia 24 de agosto às 17h40, e que a opção pela comunicação direta decorreu do conteúdo de uma Informação de Polícia Judiciária produzida pela PF.

Segundo Mendonça, o documento indicava que Andrei Rodrigues e Paulo Gonet haviam sido mencionados em uma nota enviada por Vorcaro pelo celular a um interlocutor ainda não identificado. Diante disso, afirmou o ministro, era necessário adotar cautelas adicionais para restringir a circulação das informações ao núcleo diretamente responsável pela investigação.

Mendonça escreveu que a providência foi adotada para “preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações” e ressaltou que a medida ocorreu “sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja”.

A explicação toca em um dos principais focos da crise aberta entre os dois ministros: a forma como Mendonça conduziu a investigação e determinou diretamente aos delegados que avançassem na identificação dos interlocutores de Vorcaro.

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O caso traz à tona um novo capítulo na troca de acusações entre Moraes e Mendonça. As defesas foram apresentadas horas antes do plenário do STF analisar os próximos passos

A manifestação acrescenta um novo capítulo na troca de acusações entre Moraes e Mendonça, apresentada poucas horas antes de o plenário do STF analisar os próximos passos das apurações envolvendo a relação entre Moraes e Vorcaro.

(*Com informações do Estadão)

Fonte: Portal Terra
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