Meio/Ideia: Trump não se mostra bom cabo eleitoral, e culpa pelo tarifaço divide brasileiros

Pesquisa Meio/Ideia mostra que 44,9% dos brasileiros dizem que apoio do presidente americano não aumentaria disposição de voto

5 ago 2026 - 07h11

O apoio explícito do presidente americano Donald Trump a um candidato à Presidência do Brasil pode ter efeito contrário ao esperado. Segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 5, apenas 20% dos brasileiros afirmam que o apadrinhamento do republicano aumentaria as chances de votar no nome apoiado por ele, enquanto 44,9% - ou seja, mais que o dobro - dizem o oposto.

O cenário traçado pela pesquisa coloca em xeque a estratégia adotada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem explorado sua proximidade com a Casa Branca na pré-campanha.

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"Assim como tem acontecido em outros países, como Canadá, México, França e Hungria, a intervenção do presidente dos Estados Unidos Donald Trump nas eleições tem um efeito bumerangue para os candidatos. Já estamos vendo hoje o eleitor brasileiro resistindo a uma atuação nesse sentido", afirma Cila Schulman, CEO do Ideia. Para ela, esse posicionamento do eleitorado dialoga com o discurso de defesa da soberania, bandeira que acabou caindo no colo do presidente Lula (PT).

Imagem de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro ao lado de Donald Trump
Imagem de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro ao lado de Donald Trump
Foto: Reprodução / Estadão

O instituto perguntou aos eleitores se eles concordavam com a frase: "O apoio de Donald Trump a um candidato a presidente do Brasil aumenta as chances de eu votar nesse candidato". A maioria, 44,9%, discorda da afirmação, sendo 30,3% os que disseram discordar totalmente e 14,6% os que apenas discordaram. Já 20% afirmaram concordar com a frase, dos quais 7,9% totalmente e 12,1% em alguma medida. Outros 23,1% não concordam nem discordam e 12,1% não souberam responder.

Flávio se reuniu com o presidente Trump em maio deste ano e, em declaração à imprensa, relatou ter pedido ao aliado que classificasse facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida anunciada pelo governo americano dias depois. O bolsonarista atuou para capitalizar politicamente a decisão, mas passou a ser alvo de integrantes do governo Lula após os Estados Unidos anunciarem, em julho, um novo tarifaço contra o Brasil, abrindo uma guerra narrativa entre as duas campanhas.

A pesquisa Meio/Ideia mostra que o tema do tarifaço divide os brasileiros e não há um consenso sobre quem é o principal responsável pela medida.

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Para 35,1% dos entrevistados, o governo Lula é o principal responsável pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, enquanto 32,5% discordam. Já a associação com a família Bolsonaro é rejeitada por 39,1%, contra 28,3% que consideram o grupo o principal responsável pelas sanções econômicas.

A pesquisa ainda pediu aos entrevistados que avaliassem a frase: "o governo dos Estados Unidos vai questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e isso é ruim para o Brasil". O eleitorado também ficou dividido nessa questão: 31,5% concordam em algum grau e 29,8% discordam. Outros 24,2% disseram não concordar nem discordar e 14,5% não souberam responder.

O governo Trump pretendia enviar dois oficiais norte-americanos ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, de acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post no mês passado. O governo brasileiro negou o visto aos dois representantes.

De acordo com autoridades brasileiras ouvidas pelo jornal americano, o objetivo dos EUA era elaborar um relatório que possa ser usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil.

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Nesta terça-feira, 5, o governo Lula acusou a gestão Trump de tentar interferir nas eleições presidenciais e repudiou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. O Palácio do Planalto disse que o governo americano justificou a decisão com base em premissas falsas e conduziu uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas".

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