Lula liga para Trump para negociar tarifaço e diz que organizações criminosas não são terroristas

Conversa entre os presidentes durou uma hora e 20 minutos; ligação transcorreu em tom amistoso e cordial, segundo o Planalto

21 ago 2026 - 13h28
(atualizado às 14h03)
Trump e Lula articularam de fazer novo encontro após imposição de tarifaço pelos EUA
Trump e Lula articularam de fazer novo encontro após imposição de tarifaço pelos EUA
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, telefonou nesta sexta-feira, 21, para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa durou uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom "amistoso e cordial", tratando sobre temas como o novo tarifaço contra o Brasil, combate ao crime organizado e as guerras pelo mundo, de acordo com relato do Planalto. Trump teria sugerido ainda que eles se encontrem em breve. 

Tarifaço

O comunicado do Planalto sobre a ligação destaca "a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos". O novo tarifaço entrou em vigor em 22 de julho com taxas de 25% sobre produtos brasileiros com o argumento de que "algumas práticas brasileiras são são descabidas e oneram ou restringem serviços dos Estados Unidos", citando o Pix, a corrupção e o desmatamento ilegal como alguns dos pontos.

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Segundo o governo, "Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas". 

Lula disse ao americano que as "tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos". "Seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países", informou o governo brasileiro sobre o relato.

O presidente brasileiro também "reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil".

O Planalto disse que o "presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".  

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Crime organizado

Sobre o crime organizado, Lula falou a Trump haver interesse "na cooperação com os Estados Unidos" para o combate. O governo relatou que "Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas".  

No final de maio, os EUA classificaram as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. A medida entrou em vigor em junho. A ação havia gerado reação do governo Lula com discursos em defesa da soberania. O termo "soberania" não consta no relato do diálogo feito pelo Planalto.

O presidente brasileiro disse que o País "tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las", citando ainda "a estratégia de asfixiar financeiramente a criminalidade" e a aprovação da Lei Antifacção, "que facilita a apreensão de bens e passaportes". 

Meio Ambiente

A Trump, Lula também fez referência ao "estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos".

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"O presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área", disse o Planalto.  

Guerras

Os dois presidentes, segundo o relato do governo brasileiro, também "trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio". "Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos".

Trump também teria feito "considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã", conflito iniciado pelo americano em março.

Já Lula "lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping [da China] e Putin [da Rússia], propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais".

Segundo o Planalto, "Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos". 

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Até o momento, não foi divulgado um comunicado da Casa Branca sobre o telefonema.

Fonte: Portal Terra
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