A devoção marca o primeiro ato de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca pela reeleição à Presidência da República no berço político do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Neste domingo, 16, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, um público fiel, com adereços e roupas majoritariamente vermelhos, entoando 'olê, olê, olê, olá, Lula, Lula', deram tom ao evento.
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Teve quem veio com bandeiras e adereços personalizados, quem optou pelo tradicional boné vermelho do PT ou o boné azul do 'Brasil é dos brasileiros'. O chapéu Panamá, que Lula tem usado por questões de saúde e que virou uma marca registrada dessa campanha, também foi a escolha de muitos apoiadores para este primeiro ato de campanha.
A mudança na aparência de uma figura tão conhecida como Lula inevitavelmente é notada. Natália Mendonça, professora de marketing político da ESPM, avalia que parte dos eleitores pode enxergar o chapéu como uma escolha estética ou uma característica da atual fase de Lula. Outra parcela, porém, pode relacionar o acessório diretamente ao problema de saúde enfrentado pelo presidente. Essa última interpretação, segundo a professora, é a que exige maior atenção da campanha.
Ao Terra, a campanha de Lula confirmou que o chapéu é usado para proteger Lula, que não pode pegar sol na cabeça por conta da cicatrização em torno do processo de radioterapia que ele tem feito para tratar um câncer de pele na cabeça.
'Nasci Lula'
Cassia dos Santos, de 46 anos, enfrentou sete horas de viagem para ver Lula de perto hoje. De São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ela diz que "nasceu Lula". Cassia conta que a devoção se deve ao que foi feito em sua vida: ela e sua família, que eram em sete pessoas, não tinham casa própria. Viviam em condições precárias, e foi um político local do PT que, por meio de um movimento, construiu um lar para eles.
Ela é uma das que está na grade, chegou no estádio de manhã. "Acredito no que ele fez. Ele fez mudanças na vida das pessoas, então não tenho dúvidas sobre ele", declarou, afirmando que críticas em torno do político nunca abalaram sua confiança.
Passado presente
O Estadio 1º de Maio não foi escolhido por acaso para ser palco do primeiro ato de campanha de Lula. Foi lá, na antiga Vila Euclides, que como líder sindical Lula liderou a mobilização de uma histórica greve geral dos metalúrgicos do ABC paulista em 1979. Agora, se eleito, o petista vai para o seu quarto mandato. E essa trajetória também foi relembrada pelos eleitores que marcaram presença no ato.
Um grupo que contribuiu para isso, por exemplo, foi o das "Fotógrafas e fotógrafos pela Democracia", coletivo com cerca de 250 apoiadores. Em meio às estruturas do evento, o grupo estendeu diversas bandeiras com fotos da história de Lula impressas.
Uma das integrantes é LuLudi Melo, carioca de 67 anos que se apresenta como ativista visual. Por sua trajetória como fotojornalista de tradicionais veículos de imprensa, ela ficou "na cola" de Lula em diversas ocasiões. No evento, ela estava expondo uma das fotos que fez em 1994, quando Lula ainda tentava emplacar na presidência da República. Sobre a importância das imagens, e sua atuação pró-Lula, ela afirmou: "Sou cidadã antes de jornalista".
Na época que Lula estava preso, em 2019, o coletivo tocou o "Leilão Lula Livre", onde afirmam terem arrecadado mais de R$ 600 mil com vendas de fotos que retratavam a trajetória do político. O valor foi doado para o Instituto Lula.
'Representa a América Latina'
O argentino Frederico Assan, de 27 anos, fez questão de participar do primeiro ato de Lula nessa corrida eleitoral. Ele contou que deixou a Argentina há cerca de três anos, quando Javier Milei tomou posse como presidente do país. Ele, que se apresenta como socialista, celebra a história do petista no Brasil e critica o envolvimento de Milei na corrida eleitoral brasileira.
"No Brasil, muitos dizem que Lula é de centro. Mas na América Latina toda, todos a favor da esquerda são Lula. Lula representa a América Latina", afirmou, explicando entender que movimentações em busca de votos de indecisos sejam necessárias.
Ele foi um dos que personalizou com as próprias mãos sua roupa para evento, evidenciando as escritas "Lula 13" e "na resistência eu me fortaleço" pintadas com tinta.