Foi dada a largada: neste domingo, 16, tem início o período de campanha eleitoral para as eleições de outubro e Lula escolheu o berço político do Partido dos Trabalhadores em São Paulo para o seu primeiro evento na busca pela ‘tetra’ – um quarto mandato como presidente da República. No Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o evento foi marcado pela nostalgia do início da trajetória do petista como líder sindical, com apelos por Haddad para governador em São Paulo e um calorão que pegou o público devoto desprevenido.
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Com o vermelho predominante, apoiadores do petista vieram para o evento com bandeiras e adereços personalizados, além dos tradicionais bonés vermelhos. O boné azul com a escrita “Brasil é dos brasileiros”, que marcou os últimos meses do mandato de Lula em meio aos tarifaços do governo Trump, dos Estados Unidos, ao Brasil, foi a escolha de muitos eleitores para demonstrarem apoio a Lula neste domingo. Outro item que chamou a atenção foi o chapéu panamá, que também ‘fez a cabeça dos eleitores’, imitando o novo estilo adotado por Lula após seu tratamento de câncer de pele na cabeça. O adereço, inclusive, o acompanhará em sua foto de urna.
Quem veio de boné, acabou se dando bem. Isso porque a manhã que começou fria se transformou em uma tarde ensolarada, com um calorão tomando conta do estádio. Com o sol forte, toda sombra era bem-vinda. Nisso, casacos, cartazes e outros itens passaram a ser usados em cima de cabeças como forma de fugir do sol. Bandeiras também mudaram de posição para virarem sombra, e o pouco espaço coberto, na área embaixo das arquibancadas, ficou disputado e apertado. Diversos pontos de hidratação que já haviam sido planejados para o evento, com água sendo distribuída de graça, “salvaram” o dia.
Não é novidade que Lula tem um público devoto, e esse evento foi mais uma comprovação disso. Desde a abertura dos portões do estádio, o público entoou o tradicional cântico “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” diversas vezes. O estádio ficou cheio. Mesmo com o sol, com o calor, e do cansaço evidente no eleitorado, não houve um fluxo de esvaziamento até a fala de Lula, que foi o último a discursar. E quando ele começou a falar, a massa ficou de pé para recebê-lo. Quando mais pessoas começaram a se movimentar para irem embora, Lula mudou o rumo do discurso, brincou que Janja o avisou que ele estaria falando no horário do almoço, e encaminhou para o encerramento.
Lula chegou de helicóptero. Enquanto não apareceu, aliados políticos se pronunciaram para a multidão. Houve contagem regressiva de 13 minutos para ele entrar no palco, que contou com uma passarela alta montada no meio do estádio, o deixando próximo da multidão. Quando entrou, após um vídeo emotivo sobre sua trajetória ser transmitido, o público gritou, se emocionou, ficou arrepiado e chorou. Estando em meio às pessoas, algo curioso foi mais de três pessoas ao redor comentando sobre suas relações com seus pais, conectados com a história de Lula, e que queriam que eles estivessem vivos para presenciar o momento.
Em São Paulo, o representante do PT é Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda que agora disputa o governo paulista. Em meio ao favoritismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado, aliados políticos repetiram diversas vezes ao público que “quem vota em Lula, vota em Haddad” e pediram votos ao candidato.
Trajetória do petista
A Vila Euclides, que foi o mesmo palco de hoje, foi onde em 1979 aconteceu a primeira grande greve geral do ABC Paulista, onde Lula vivia sua fase de líder sindical. No caso, ele entrou no jogo político como líder sindical e metalúrgico, sendo um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 1980. Antes de ser presidente da República pela primeira vez, perdeu três eleições (1989 1994 e 1998). Foi na mudança para uma figura ‘Lulinha paz e amor’ e articulações para retomada econômica que ele conseguiu conquistar o eleitorado.
Em 2006, Lula venceu a disputa contra Geraldo Alckmin, que na época era o representante do principal partido da oposição, o PSDB. O mesmo Alckmin que, agora, concorre mais uma vez como seu vice-presidente. Na época, foi um mandato que se deu em contexto de desgaste político por conta do escândalo do Mensalão. Em paralelo, o mundo também lidou com uma grande recessão em 2008.
Depois da reeleição de Lula, Dilma Rousseff seguiu o projeto petista no poder – sendo presidente de 2010 a 2016, quando sofreu impeachment após ser reeleita. Lula retornou à presidência em 2022, após derrotar Jair Bolsonaro em uma tentativa de reeleição. O 'Lula 3’ conseguiu cumprir metas significantes: como fazer a tão discutida reforma tributária, zerar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, recriar ministérios de Cultura, Previdência Social e abrir o de Povos Originários, e não privatizar o Banco do Brasil, nem os Correios e a Petrobrás.
Em paralelo, descumpriu sua palavra de que não disputaria nas eleições de 2026. Também não conseguiu universalizar a banda larga em escolas, nem zerar filas geradas pela pandemia que foram acumuladas no Sistema Único de Saúde (SUS), nem recriar o Ministério de Segurança Pública, outras promessas da última campanha.
O plano de governo de Lula também trazia como compromisso propor uma nova legislação trabalhista de proteção social -- algo que, de forma ou outra, sempre fez parte das promessas do petista. Em meio a isso, o governo tem articulado o fim da escala 6x1, aprovada na Câmara em maio deste ano. O texto, porém, não avançou no Senado, e deve ficar como uma pendência.
A candidatura do petista foi oficializada no último dia 2, em convenção partidária vinculada a um megaevento na capital paulista. Na ocasião, o ele disse não querer mais o “'Lulinha paz e amor”, e sim o 'Lulinha porreta' em caso de um novo mandato.