O presidente Lula defendeu a quebra imediata do sigilo das investigações sobre o banco Master, classificando o episódio como o maior crime financeiro do país e cobrando transparência diante da crise no Judiciário. A manifestação ocorreu em meio a conflitos no STF: o ministro Flávio Dino revogou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, imposto por André Mendonça após a entrega de relatórios de inteligência a Alexandre de Moraes envolvendo conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta quarta-feira, 9, a quebra de sigilo imediata das investigações envolvendo o banco Master. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que, considerando a gravidade dos fatos e a escalada da crise no Poder Judiciário, o nome de todos os envolvidos deve vir a público.
"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."
Na postagem, o presidente cita a Operação Spoofing, que prendeu os hackers responsáveis pela invasão de celulares de autoridades. A operação foi deflagrada para apurar a invasão das contas do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol no aplicativo Telegram.
Foi a partir desta operação que as conversas, que serviriam de base para a anulação das condenações contra o presidente Lula, foram incluídas no Judiciário. As defesas dos réus na Lava Jato, então, tiveram acesso a esse conteúdo e puderam usá-lo para contestar suas condenações - o que aconteceu com o petista.
Mais um degrau da crise do STF
Mais cedo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a reintegração do delegado Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal um dia após seu afastamento cautelar determinado pelo ministro André Mendonça. Ele enviou a decisão para análise no plenário do Supremo.
Dino acolheu pedido de tutela provisória de urgência apresentado por Andrei Rodrigues e também reintegrou o delegado Leandro Almada de Castro ao cargo de diretor de Inteligência da PF, com o restabelecimento integral das atribuições funcionais de ambos.
Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário.
Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que…
— Lula (@LulaOficial) September 9, 2026
Segundo a decisão, a medida permanece em vigor até o cumprimento integral, pela Polícia Federal, das determinações expedidas por Dino em processos sob sua relatoria, "sem interrupção decorrente de interferência externa".
Ele advertiu que "qualquer resistência ao cumprimento" da decisão "poderá caracterizar, conforme o caso, ilícito sujeito às consequências previstas no ordenamento jurídico, sem prejuízo das demais medidas necessárias à preservação da autoridade das decisões desta Corte".
O pedido de Andrei para reverter o afastamento se baseou em decisão de Flávio Dino que autorizou a Polícia Federal a acessar a íntegra do material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi, que investiga se emendas parlamentares custearam o filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com Andrei, "seu afastamento do cargo de Diretor-Geral interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição".
O afastamento ocorreu após Andrei entregar ao ministro Alexandre de Moraes um relatório de inteligência produzido por ordem do ministro. Como mostrou o Estadão, o documento não tem valor probatório, mas foi usado por Moraes no inquérito das fake news para acusar Mendonça de abuso de autoridade. A reação veio depois de Mendonça determinar a elaboração de relatório com conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, nas quais o banqueiro chegou a perguntar se deveria deixar o País diante das investigações.