Bastidores: Pedido de Andrei para voltar à PF foi feito à revelia de estratégia do governo Lula

A decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar o diretor-geral da PF atende a um pedido do próprio Andrei Rodrigues; integrantes do governo têm tratado o pedido como algo 'pessoal'

9 set 2026 - 11h20
(atualizado às 11h23)
Resumo
Andrei Rodrigues conseguiu retornar ao cargo de diretor-geral da PF por meio de decisão do ministro Flávio Dino, agindo por iniciativa própria e à revelia da estratégia jurídica do governo Lula. O plano oficial previa apenas um pedido da AGU ao STF para suspender a liminar de André Mendonça. Diante da crise institucional entre alas da Corte, a campanha petista adotou cautela para evitar o acirramento do conflito e minimizar possíveis impactos eleitorais.
Dino reconduz Andrei Rodrigues à chefia da PF um dia após decisão de Mendonça
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BRASÍLIA - O pedido feito por Andrei Rodrigues para retomar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) foi levado adiante à revelia da estratégia traçada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo do dia de ontem, apurou o Estadão/Broadcast. Não à toa, integrantes do governo têm tratado o pedido de Andrei como algo "pessoal", enquanto o pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) é citado como "institucional".

Lula se reuniu com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, na manhã e tarde de terça-feira, 8, para traçar a estratégia que o governo adotaria para responder ao que o presidente considerou uma invasão de prerrogativa por parte do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Lula não se reuniu com Andrei durante o dia de ontem. Os dois, porém, se falaram por telefone. A estratégia jurídica foi debatida com os ministros da Justiça e da Advocacia-Geral da União.

O definido com o presidente foi que a AGU protocolaria um pedido de suspensão de liminar, instrumento excepcional usado para tentar sustar uma decisão monocrática de um juiz. O pedido foi protocolado no fim da tarde de terça-feira.

Depois da conversa com o presidente da República no Palácio da Alvorada, Wellington César e Jorge Messias se reuniram com o presidente do STF, Edson Fachin, no Supremo. Após receber o pedido da AGU, Fachin abriu prazo de 72 horas para que Mendonça se manifestasse sobre o caso - algo de praxe no Judiciário.

Flávio Dino e Lula
Flávio Dino e Lula
Foto: Andressa Anholete/Getty Images

À parte, Andrei traçou seus planos. A decisão do ministro Flávio Dino, publicada na manhã desta quarta-feira, 9, atende a um pedido feito pelo agora novamente diretor-geral da Polícia Federal. A tentativa não fazia parte da estratégia traçada por Lula e seus ministros.

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Em paralelo a isso, a equipe de campanha do presidente está preocupada com os impactos da crise no STF na disputa eleitoral, apurou a reportagem. Depois de reunião com o presidente ontem, o presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, gravou e divulgou um vídeo falando sobre o momento de tensão vivido em Brasília. Disse que a crise institucional é "inegável", cobrou "as apurações de todas as denúncias" em relação ao STF e que elas "sejam aceleradas e conduzidas com muita lisura".

Edinho não mencionou Mendonça em nenhum momento. Não fez nenhum gesto na direção de acirramento do conflito deflagrado entre as duas alas do STF. Apostou, conforme combinado com Lula, em uma estratégia de busca por uma resolução do conflito sem se posicionar claramente de um lado ou de outro.

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