Em sabatina, o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) criticou as privatizações da gestão Tarcísio de Freitas, com foco na Sabesp, alertando para o risco de a empresa virar uma "Enel das águas" e encarecer tarifas. O petista prometeu revisar contratos e priorizar o saneamento das contas públicas estaduais. Haddad também defendeu a política econômica do governo Lula, afirmando haver descompasso entre a realidade dos indicadores e a percepção pública, sem ignorar os desafios do país.
Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, afirmou que pretende fazer uma ampla revisão dos contratos do Estado caso seja eleito e voltou a criticar a política de privatizações adotada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). As declarações foram dadas durante sabatina promovida pela revista Veja, em São Paulo, nesta terça-feira, 25.
O petista também voltou a atacar a privatização da Sabesp, aprovada durante o governo Tarcísio. Segundo ele, a concessão da companhia exige intervenção do poder público para evitar problemas na prestação do serviço. "Nós temos de incidir no contrato para evitar que essa Sabesp se transforme numa Enel das águas", afirmou, em referência à concessionária de energia que atua em São Paulo e que é alvo frequente de críticas por parte da população.
Haddad também sustentou que as privatizações tendem a pressionar as tarifas. "Toda a privatização implica um aumento de tarifa. Aconteceu isso em todos os processos de privatização", declarou.
Na avaliação do candidato, a situação fiscal do Estado é um dos principais desafios para o próximo governador. "As contas do Estado estão se deteriorando muito rapidamente", afirmou.
"Nós precisamos realmente endereçar um plano de desenvolvimento para São Paulo que passa pelo saneamento das contas públicas", Haddad defendeu.
Defesa de Lula e embate sobre economia
Haddad também foi questionado sobre a situação da economia brasileira e procurou rebater críticas à política econômica do governo Lula (PT). O ex-ministro da Fazenda afirmou que existe uma distância entre os indicadores econômicos e a percepção pública sobre a situação do país.
"Nós estamos num mundo em que às vezes a narrativa se impõe mais do que a realidade", disse.
O candidato afirmou, porém, que não pretende sustentar uma avaliação excessivamente otimista do governo federal. "Você nunca ouviu da minha boca a afirmação de que tá tudo lindo e maravilhoso", declarou.