Frente parlamentar do agro critica ausência de Lula em lançamento do Plano Safra: 'Preocupante'

Segundo a bancada, a presença do presidente em anúncio para a agricultura familiar, mas não para empresários, é tentativa de 'dividir o agro brasileiro'

30 jun 2026 - 21h08

A Frente Parlamentar da Agropecuária, maior bancada do Congresso Nacional, criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial nesta terça-feira, 30. Em nota com outras críticas ao plano em si, a FPA classificou o fato como "o mais preocupante". Nenhum membro da diretoria da frente esteve presente no evento pelo terceiro ano consecutivo.

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Lula estava na Cúpula do Mercosul, no Paraguai, durante o lançamento da medida para médios e grandes produtores. O evento foi realizado no Palácio do Planalto pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O chefe do Executivo brasileiro retornou ao País e participou do anúncio do plano para a agricultura familiar, no fim do dia.

"O mais preocupante é a postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que fez questão de afirmar que não participaria do lançamento do Plano Safra da agricultura empresarial, reservando presença apenas ao anúncio da agricultura familiar", afirmou a bancada na nota oficial.

"A postura reforça uma tentativa equivocada do governo de dividir o agro brasileiro, como se pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e cadeias produtivas não fizessem parte de um mesmo sistema responsável por produzir alimentos, gerar empregos, movimentar municípios e sustentar a economia nacional", acrescenta.

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A vice-presidente da frente parlamentar no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), também comentou o assunto em vídeo publicado em suas redes sociais. "O nosso setor que faz com que o nosso PIB seja positivo, com que a nossa balança comercial seja positiva, que gera quase 30% dos empregos formais desse país, ele merece respeito e prestígio", afirmou a ex-ministra. Ela também declarou que o anúncio "não teve nada de recorde".

A FPA, composta por 192 deputados federais e 50 senadores, criticou pontos das medidas lançadas. A bancada considera, por exemplo, as propostas para reduzir juros insuficientes diante da "situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda dos recursos equalizados", empréstimos do crédito rural em que o governo federal subsidia parte dos juros.

Este é o terceiro ano consecutivo em que parlamentares da bancada agropecuária não comparecem ao anúncio do programa de financiamento e mostram distanciamento do governo. Desde o início do governo Lula, a frente se opõe ao Executivo em repetidas iniciativas relacionadas a políticas agrícolas.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o Plano Safra 2026/27 oferecerá um total de R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores, 1,7% a mais do que a oferta de crédito na temporada 2025/26, de R$ 516,2 bilhões.

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