O endereço cadastrado para a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Missão chama atenção pelo nome da rua, do bairro e pelo número do imóvel: “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ”. O número 666 é tradicionalmente associado, na simbologia cristã, à “besta”, uma figura que representa o Anticristo.
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A filiação, que é tratada como fraude pelo senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, provocou uma alteração na situação partidária de Flávio e impediu, inicialmente, que sua candidatura à Presidência da República fosse registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira, 13.
Dados da Justiça Eleitoral mostram que Flávio foi desfiliado do PL na quarta-feira, 12. Ele estava registrado na legenda desde novembro de 2021. O Missão é uma legenda comandada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e tem Renan Santos como pré-candidato à Presidência.
Flávio afirma que filiação é fraude
Flávio Bolsonaro afirmou que a filiação ao Missão é fraudulenta e acusou o que chamou de “sistema” de tentar impedir sua candidatura à Presidência. “Mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar. Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar. O Brasil vai vencer!”, declarou o senador nas redes sociais.
O Missão também afirmou ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta. Em nota, o partido disse que seu sistema identificou a tentativa e que houve uma tentativa de cancelar a filiação no mesmo dia, mas a solicitação foi rejeitada pelo TSE.
“O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos”, informou a legenda.
O partido afirmou ainda que pretende encaminhar à Polícia Federal e ao TSE informações técnicas para identificar os responsáveis pela alteração. Segundo o Missão, serão disponibilizados “logs, e-mails e IPs” relacionados ao procedimento.
O que disse o TSE
O TSE informou que a filiação de Flávio ao Missão "não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações".
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária. Segundo a Corte Eleitoral, o PL já protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.