Flávio Bolsonaro diz ter sido alvo de mais de 1,8 mil ameaças de morte

Equipe do candidato diz que 30 dessas ameaças teriam se desdobrado em investigações por parte da Polícia do Senado Federal, que hoje faz a segurança de Flávio em Brasília e em viagens

16 ago 2026 - 18h58

BRASÍLIA — "Vocês estão vendo aí. Foi só eu dizer que vou classificar PCC, CV e milícias como organizações terroristas, já recebi mais de mil e oitocentas ameaças de morte", afirmou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numa transmissão ao vivo à meia noite deste domingo, 16.

Nos últimos meses, a campanha de Flávio, aliados do senador e perfis apoiadores passaram a dizer que há chance de ocorrer uma tentativa de assassinato contra o candidato à Presidência da República, sem detalhar de onde vêm as ameaças.

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Flávio Bolsonado usa colete à prova de balas durante um ato organizado por Nikolas Ferreira na Avenida Paulista, em março de 2026
Flávio Bolsonado usa colete à prova de balas durante um ato organizado por Nikolas Ferreira na Avenida Paulista, em março de 2026
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

A equipe de Flávio diz que 30 dessas ameaças teriam se desdobrado em investigações por parte da Polícia do Senado Federal, que hoje faz a segurança de Flávio em Brasília e em viagens. O candidato disse que os agentes conduziram à delegacia uma pessoa que planejava um ataque a Flávio em Juiz de Fora, nesta segunda-feira, 17.

Em julho, Flávio dispensou a escolta da Polícia Federal (PF) que estava garantida para acompanhá-lo pelo Brasil, sob a alegação de que possa haver infiltrados entre os agentes, uma vez que a corporação está gerida por alguém indicado pelo PT, o diretor-geral Andrei Rodrigues.

Coordenada pela Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP), a estrutura da PF é preparada para atender com equipes especializadas até dez candidaturas ao mesmo tempo. Os profissionais atuam em todos os estados e fazem acompanhamento permanente das agendas de campanha.

A tese de um suposto atentado passou a ser insuflada pelos aliados de Flávio a partir de dois episódios. A primeira se deu quando o senador viajou aos Estados Unidos para uma reunião na Casa Branca, em que aproveitou a oportunidade para defender a classificação de organizações criminosas como narcoterroristas.

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A segunda, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazer uma declaração sugerindo enforcar traidores da Pátria, numa referência a uma suposta subserviência do adversário ao presidente americano, Donald Trump.

Em resposta a um novo discurso de Lula contra "traidores da Pátria", os advogados da campanha, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, fizeram uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) "alertando para repetição de discurso de ameaças e incitação à violência feita por Lula contra o senador".

A equipe de comunicação tem feito questão de divulgar notas sobre o temor com violência, diante de "crescentes ameaças à vida de Flávio Bolsonaro", de acordo com um dos comunicados.

"Diante desse alerta, novas medidas de segurança passam a ser adotadas pela equipe de segurança do senador, como a ampliação do efetivo, com o triplo de policiais destacados, e o uso permanente do colete balístico por Flávio Bolsonaro. Os registros que atentam contra a vida de Flávio estão distribuídos da seguinte forma: 868 ameaças explícitas; 647 manifestações de incitação à violência; 640 referências codificadas; e 133 conteúdos relacionados a planejamento ou oportunidade de ataques", afirmou a campanha em nota, em 22 de julho.

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Flávio tem usado há meses colete à prova de balas em seus eventos, assim como fez neste domingo, no lançamento oficial da campanha em Copacabana. Numa de suas transmissões ao vivo às quintas-feiras, ele afirmou que começou a sofrer "ameaça de morte sem parar" enquanto defendia enquadrar facções como narcoterroristas.

"Em alguns eventos vocês veem como eu tenho que estar de colete à prova de balas. Não posso fazer como eu adoro fazer, de entrar mais no meio da galera, e abraçar e tirar foto, porque pode ter alguém ali no meio mal intencionado, para tentar concluir o que não conseguiram fazer com o meu pai. Mas estou aqui arriscando a minha vida. Tirando a minha família do sossego. Queria pedir a vocês: assumam um pouquinho de risco também", declarou em 30 de julho.

O coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), atribui as ameaças à esquerda, a quem chama de "turma mais radical, que se coloca como defensora da democracia, mas é quem mais agride a democracia".

"Tem (receio de ataque), mas estamos tomando todas as providências. Temos uma estrutura que protege Flávio, a partir inclusive da Polícia do Senado, (com) quem ele tem uma relação desde o primeiro dia do mandato dele", declarou ao Estadão.

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, endossou a tese de um atentado durante uma entrevista ao canal Rede Comunica Brasil no YouTube. Ele também fez associação entre um possível ataque e os interesses eleitorais da esquerda.

"Flávio tem que tomar muito cuidado com a segurança dele. Cada vez mais vai valer mais a pena assassiná-lo. Porque se tirar o Flávio, quem que resta? Vai ser uma eleição entregue de bandeja para o Lula. Então é contra isso aí que a gente está lutando", afirmou.

Não há evidências públicas de que haja uma orquestração de grupos de esquerda para cometer esses ataques. Em 2022, a poucos meses das eleições, houve episódios de violência cometidos por pessoas de diferentes matizes ideológicas.

Aliados e apoiadores também têm embarcado nos alertas. "EXCLUSIVO: CV planeja matar Flávio Bolsonaro em MG", alardeava um vídeo do comunicador Allan dos Santos no Canal Timeline do YouTube, em 1º de junho. Ele descrevia supostas conversas num grupo de WhatsApp planejando uma manifestação contra a entrega do título de cidadão honorário de Belo Horizonte a Flávio, momento em que haveria um atentado. O ataque não aconteceu.

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Também em junho, em entrevista ao canal Auri Verde Brasil no YouTube, o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) comentou um comentário do apresentador Alexandre Pittoli de que "tem (uma declaração do) Lula ontem, pra culminar numa nítida incitação, numa ameaça à vida de Flávio e Eduardo".

"Apito de cachorro é quando um líder dá a ordem para alguém, que vai entender a ordem, que não é uma ordem expressa. Em vez de falar 'matem o Flávio Bolsonaro', (ele sugere) que lá em 1800 e alguma coisa, alguém, por ter atitudes semelhantes ao que Flávio fez, deveria ser morto. Isso é muito usado por traficantes, esse tipo de pessoas aliadas ao narcopresidente da República", disse o parlamentar.

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