Ranking de candidatos mais ricos inclui empresário que bancou viagem de jatinho para Toffoli

Políticos mais ricos aumentaram patrimônio em relação às ultimas eleições

16 ago 2026 - 18h39

BRASÍLIA — O empresário Luiz Pastore (PL), candidato a primeiro suplente na chapa de Eduardo Gomes (PL) ao Senado no Tocantins, desponta no ranking de candidatos mais ricos desta eleição. Ele é dono do jatinho que levou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para o Peru junto com o advogado de um diretor do Banco Master, em 2025.

Luiz Pastore (PL), Antídio Lunelli (MDB) e Otaviano Pivetta (Republicanos) estão entre os candidatos mais ricos das eleições 2026.
Luiz Pastore (PL), Antídio Lunelli (MDB) e Otaviano Pivetta (Republicanos) estão entre os candidatos mais ricos das eleições 2026.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado, Solon Soares/Agência Alesc e Mayke Toscano/Secom-MT / Estadão

Pastore declarou um patrimônio de R$ 677,74 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele é o político mais rico concorrendo ao Senado na campanha, conforme levantamento do Estadão com dados informados à Justiça Eleitoral.

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O ranking não é definitivo, pois nem todas as candidaturas estão na base do TSE e uma série de candidatos alegaram erros na declaração. Desconsiderando patrimônios bilionários e candidatos que alegaram que houve erros, Pastore é o mais abastado.

José Pastore é dono do jatinho que levou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Banco Master, para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru, em novembro de 2025.

No mesmo dia, Toffoli virou relator do Caso Master no Supremo. Em seguida, deixou o processo, após uma crise interna no STF por causa da atuação dele e da participação em uma empresa que fez negócios com o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.

Pastore é empresário e presidente do Conselho de Administração do Grupo Ibrame, uma empresa do setor metalúrgico. Ele é conhecido em círculos políticos em Brasília, mas quase sempre atuou nos bastidores.

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"Eu sou uma pessoa que sou um empresário e estou pondo meu patrimônio à disposição para dar ciência, para que eu possa trabalhar pelo empreendedorismo e os empresários do Brasil. Tem muito pouca gente trabalhando por isso", disse Pastore ao Estadão.

Em 2022, quando foi candidato a suplente na chapa de Flávia Arruda ao Senado no Distrito Federal, ele declarou ter R$ 453,6 milhões em bens. Em quatro anos, o patrimônio registrou um crescimento de 49%.

Pastore era filiado ao MDB desde 1986 e mudou de partido e de domicílio eleitoral para concorrer ao PL no Tocantins nesta eleição. "Eu tenho 77 anos, fui duas vezes suplente de senador pelo Espírito Santo e resolvi que é uma hora que eu tenho que me dedicar ao quarto Estado mais importante da União", afirmou ele, ao citar que os dados sobre crescimento econômico.

Em seguida, no ranking de candidatos com os maiores patrimônios, aparece Antídio Lunelli, candidato a senador pelo MDB em Santa Catarina, com bens no valor de R$ 613,22 milhões. Atualmente, ele é deputado estadual e já foi prefeito de Jaraguá do Sul (SC). Os bens aumentaram em 57% em relação às últimas eleições, quando declarou R$ 390 milhões.

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Segundo Lunelli, seu patrimônio é anterior à entrada na política, em 2016, e vem principalmente do Grupo Lunelli, que inclui uma indústria têxtil em Santa Catarina e hoje emprega mais de 5,2 mil pessoas. Lunelli também possui investimentos no agronegócio. Em 2024, ele era o quinto político mais rico do Brasil.

"Tenho orgulho de ter construído minha trajetória com muito trabalho", disse o candidato. "Penso que essa minha experiência, de alguém que foi colono, operário e abriu o próprio negócio, pode contribuir no debate sobre o futuro que queremos para o Brasil."

Otaviano Pivetta (Republicanos), governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, também aparece entre os candidatos mais ricos, com um patrimônio de R$ 575,68 milhões. O patrimônio dele aumentou 52% em relação ao declarado em 2022 (R$378,9 milhões). Procurado, ele não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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