Entenda o que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez para Moraes decretar prisão

Ministro expôs que ex-presidente utilizou redes sociais de aliados e de três filhos para divulgar mensagens com incentivo a ataques ao STF

4 ago 2025 - 18h42
(atualizado às 19h56)
Resumo
O ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro por descumprir medidas cautelares, utilizando redes sociais de aliados e filhos para incentivar ataques ao STF e apoiar intervenção estrangeira no Judiciário.
Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) com base no descumprimento das medidas cautelares impostas e expôs, na decisão, que o ex-presidente utilizou as redes sociais de aliados -- incluindo os três filhos parlamentares -- para divulgar mensagens com 'claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao STF e apoio ostensivo a intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro'. 

Na decisão desta segunda-feira, 4, Moraes esmiuçou os descumprimentos das medidas cautelares cometidos por Bolsonaro no último domingo, 3. Na ocasião, o ex-presidente participou, por telefone, de atos promovidos por apoiadores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nas imagens, ele aparece sentado em casa, vestindo uma camisa do Brasil e deixando a tornozeleira eletrônica à mostra.

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O ex-presidente também enviou uma mensagem aos manifestantes que estavam na orla da praia de Copacabana, em vídeo publicado pelo filho e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O áudio de telefonemas feitos a Bolsonaro durante as manifestações foi conectado aos sistemas de alto-falantes pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), na Avenida Paulista, e por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em Copacabana. Em São Paulo, não foi possível ouvir a voz de Bolsonaro.

"Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos", saudou o ex-presidente para os manifestantes que foram até a orla carioca.

Na publicação feita em sua página oficial, o filho do ex-presidente escreveu: "Palavras de Bolsonaro em Copacabana. A legenda é com vocês." O parlamentar apagou o conteúdo pouco depois, no entanto, a medida cautelar que proibia o uso de redes sociais já teria sido quebrada, conforme avaliaram especialistas ao Terra

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Especialistas veem descumprimento de medida cautelar por Bolsonaro após publicação de Flávio
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Na decisão, Moraes anexou imagens de publicações não só de Flávio, mas também dos filhos Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), bem como de Nickolas Ferreira, que mostravam a participação indireta do ex-presidente nas manifestações. 

O magistrado também deu ênfase à repercussão da imprensa após Flávio Bolsonaro deletar a publicação de suas redes sociais: "O senador apagou a postagem em um claro intuito de omitir o descumprimento das medidas cautelares praticado por seu pai". 

“Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Messias Bolsonaro”, conclui o magistrado. 

Além da prisão domiciliar, Moraes também determinou o uso de tornozeleira eletrônica -- que já é feito pelo ex-presidente desde 18 de julho --, proibição de visitas, com exceção de advogados e pessoas previamente autorizadas pelo STF, e recolhimento de aparelhos celulares.

A decisão ainda mantém a proibição de contato com embaixadores ou quaisquer autoridades estrangeiras, bem como com os demais réus e investigados nas diversas ações penais relacionadas aos processos do golpe e à investigação sobre obstrução da Justiça e a utilização de redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apareceu usando tornozeleira em um vídeo postado e posteriormente apagado por Flávio Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apareceu usando tornozeleira em um vídeo postado e posteriormente apagado por Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução

Medidas cautelares foram descumpridas

Em 18 de agosto, o STF impôs uma série de medidas contra Bolsonaro por risco de fuga, confissão de culpa, ataque à soberania nacional, articulação contra o País e obstrução da Justiça.

Com base nesses pontos, Moraes determinou:

  • Recolhimento domiciliar obrigatório das 19h às 6h
  • Proibição de aproximação de representações diplomáticas
  • Vedação a comunicações com outros investigados e autoridades estrangeiras (inclusive por intermediários)
  • Restrição ao acesso a redes sociais
  • Impedimento de contato com o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho;
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, na sede do PL, em Brasília
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Bolsonaro réu

A Procuradora-Geral da República (PGR) solicitou ao STF a condenação de Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

Segundo a denúncia, Bolsonaro chefiou uma organização criminosa armada para desacreditar o sistema eleitoral, incitar ataques a instituições democráticas e articular medidas de exceção. 

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Os crimes atribuídos a Bolsonaro são:

  • Organização criminosa armada (Lei 12.850/2013)
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal)
  • Tentativa de golpe de Estado (art. 359-M do CP)
  • Dano qualificado contra o patrimônio da União (art. 163, parágrafo único, do CP)
  • Deterioração de patrimônio tombado (Lei 9.605/1998)
Fonte: Redação Terra
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