Lula diz que 'esquerda se tornou o sistema' e que precisa 'praticar a coerência'

Na Espanha, presidente afirmou que campo do qual faz parte se contentou em ser 'gerente da mazela do neoliberalismo'

18 abr 2026 - 15h21
(atualizado às 15h31)

BRASÍLIA- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado, 18, que a direita se apoderou do lugar "antissistema" na política porque a esquerda se contentou em ganhar eleições e gerir o "neoliberalismo", praticando austeridade e abrindo mão de políticas públicas em nome da governabilidade.

"Nós temos sido os gerentes da mazela do neoliberalismo", disse o presidente, em discurso na Mobilização Global Progressista, um evento de esquerda, em Barcelona, na Espanha. "Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que, agora, o outro lado se apresente como antissistema."

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Segundo o presidente, a "extrema-direita" soube capitalizar o "mau estado das promessas não cumpridas do neoliberalismo" e canalizou as frustrações da população, enquanto os governos de esquerda abriram mão dos seus programas.

Lula defendeu que os partidos de esquerda têm de "praticar a coerência" e implementar os programas com os quais são eleitos. Na avaliação dele, boa parte do povo, embora não se identifique como progressista, estaria de acordo com pautas associadas à esquerda.

"Ela quer comer bem, morar bem, escola de qualidade, hospital de qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio ambiente muito dura, ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permita uma vida confortável", listou.

O presidente brasileiro defendeu, ainda, que o papel da esquerda é "apontar o dedo para os verdadeiros culpados" pelas frustrações da população, que seriam, segundo ele, "bilionários que sustentam a maior parte da riqueza mundial", e não a população LGBT+ ou os imigrantes.

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"Essa luta precisa ser global, de nada adianta manter a casa em ordem em um mundo em desordem", disse. "Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças, gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome, resolver o problema energético, o problema da saúde."

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