Lula cobra mudança de postura de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas devem concordar em mudar seu comportamento depois de não conseguirem parar a guerra no Irã, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma cúpula de líderes em Barcelona, na Espanha, neste sábado.
"Não podemos acordar todas as manhãs e ir para a cama todas as noites com um tuíte de um presidente ameaçando o mundo e declarando guerras", disse Lula em referência ao presidente dos EUA, Donald Trump, durante o Fórum Democracia Sempre, iniciativa lançada em 2024 para fortalecer a coordenação internacional em defesa da democracia.
"Nenhum presidente de país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras para outros países. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento", afirmou Lula.
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
"Para quem que o Putin pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. Para quem que o Trump pediu pra invadir o Irã? Para ninguém. Para quem que Israel pediu pra invadir a Faixa de Gaza? Para ninguém. Para quem que (os EUA) pediu para invadir a Venezuela? Para ninguém", disse Lula.
"Precisamos exigir que o secretário geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir para os cinco membros de segurança. A ONU não pode ficar silenciosa em ver o que está acontecendo no mundo", defendeu Lula se referindo a António Guterres, atual secretário geral da ONU.
"Temos que por no documento, uma convocação geral para discutir o que está acontecendo no mundo hoje. Com a destruição do multilateralismo, vai prevalecer a força do senhor da guerra", disse o presidente brasileiro, citando que está "muito preocupado com Cuba" e defendendo que os EUA acabem com o bloqueio econômico de décadas sobre a ilha.
Lula ainda afirmou que o Líbano, que vem sendo alvo de bombardeiros israelenses neste ano que deslocaram mais de 1 milhão de pessoas de suas casas "não pode ser vítima de cada guerra que Israel faz com alguém" e afirmou que o mundo vive hoje um cenário de imperialismo.
"Não queremos mais czar, nós não queremos mais imperador. O povo pobre merece uma chance de viver no sistema democrático...Todo dia nós somos ameaçados e não temos um fórum internacional para discutir."
(Com edição Redação São Paulo)
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.