Debate em SP: STF fica em 2º plano, Salles associa Prado ao PT, e Tebet e Marina fazem tabelinha

Candidatos ao Senado por São Paulo participaram de debate promovido pela TV Bandeirantes

9 set 2026 - 23h49
(atualizado em 10/9/2026 às 01h25)
Resumo
No debate da Band para o Senado por SP, candidatos adotaram diferentes táticas visando duas vagas. À esquerda, Marina Silva e Simone Tebet atuaram em dobradinha pró-governo Lula, defendendo a pauta 6x1. Na direita, Ricardo Salles atacou o rival André do Prado, acusando-o de ligação com o PT, enquanto buscou aliança com Guilherme Derrite. O STF ficou em segundo plano, sendo Salles o único a declarar apoio explícito ao impeachment de ministros, enquanto outros pregaram apenas apuração de irregularidades.

Candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo à esquerda e à direita adotaram táticas diferentes no debate promovido pela TV Bandeirantes na noite desta quarta-feira, 9. Enquanto Ricardo Salles (Novo) criticou a trajetória política do presidente da Alesp, André do Prado (PL), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) fizeram uma "tabelinha" a favor do fim da escala 6x1, uma das principais bandeiras da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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A crise institucional enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ficou em segundo plano e foi abordada de forma pontual, somente a partir do segundo bloco. Cabe ao presidente do Senado abrir, e aos senadores, votarem, processos de impeachment contra ministros da Corte.

Apenas Salles disse com todas as letras ser favorável a ao impeachment dos magistrados, citando especialmente Alexandre de Moraes.

Os demais candidatos que abordaram o tema, como Marina, Tebet e Soninha Francine (Cidadania), defenderam, com ênfases variadas, que ministros que cometeram irregularidades sejam punidos, mas não anteciparam seus votos.

Mesmo André do Prado, candidato do PL e da família Bolsonaro, que tem no impeachment a principal pauta no Senado, adotou essa linha e não declarou abertamente como votaria em um eventual processo contra os ministros. (leia mais abaixo).

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A pauta ganhou força após mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostrarem que ele pediu ajuda a Moraes para tentar conter o avanço das investigações sobre o Master.

Salles abriu o primeiro bloco acusando Prado de ter apoiado candidatos do PT no passado, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e Alexandre Padilha (PT). "Você sempre esteve com a esquerda", afirmou Salles.

Prado se defendeu e disse que, na verdade, "sempre esteve contra o PT". Ele afirmou que integrou a base de apoio ao então governador Geraldo Alckmin (PSB) na Alesp a partir de 2010, quando assumiu o primeiro mandato como deputado estadual - à época, Alckmin era oposição ao PT.

Prado disse ainda que Salles foi secretário de Alckmin em duas ocasiões e em ambas foi demitido pelo então governador. O candidato do PL também citou processos contra Salles. "Um deles relacionado a contrabando internacional de madeira. A Polícia Federal foi até a sua casa. Eu nunca recebi a visita da polícia", rebateu.

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Como há duas vagas, a estratégia dos candidatos é realizar "dobradinhas" e evitar que o segundo voto ajude a eleger um candidato de outro espectro político. À esquerda, a aliança é entre Marina e Tebet. À direita, a dobradinha é entre Guilherme Derrite (PP) e André do Prado, que são apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Salles, contudo, tenta quebrar essa estratégia.

Em outro momento, Derrite e Salles também se juntaram, mas para criticar a gestão do PT na segurança pública. Foi o candidato do PP que escolheu Salles para responder à questão - naquele momento, Prado não poderia ser mais selecionado, de acordo com as regras do debate.

"Derrite, é um prazer estar com você. Você sabe que sempre apoiei seu trabalho", acenou Salles ao colega, na contramão do que havia feito minutos antes com o presidente da Alesp.

"Nós temos uma candidata, Marina Silva, que votou contra a redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados. E a candidata Tebet, que também já se posicionou contra", afirmou Derrite.

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Marina disse que é professora e entende que adolescentes não devem ser tratados como bandidos. Tebet, contudo, afirmou que admite a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes graves, como latrocínio, homicídio doloso em reincidência ou estupro.

Ainda no embate com Derrite, a ex-ministra do Planejamento o acusou de indicar um comandante-geral da Polícia Militar suspeito de ter envolvimento com o crime organizado. Derrite era secretário de Segurança Pública de São Paulo até o início do ano.

Como mostrou o Estadão, um depoimento sigiloso do promotor de Justiça Lincoln Gakiya apontou a suspeita de omissão do coronel José Augusto Coutinho em um caso de corrupção de policiais pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

"Eu defendo transparência e que todas as investigações prossigam. Quando ele foi nomeado, não tinha nenhum indício de envolvimento dele, sequer uma falta disciplinar", rebateu Derrite.

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Candidatos defendem punição a ministros do STF que cometerem crimes de responsabilidade

Questionado por uma jornalista se defende uma atuação mais enfática do Senado na fiscalização do Supremo, André do Prado disse que é preciso ter "coragem para discutir" o assunto e criticou a interferência da Corte em outros Poderes.

Ele, contudo, falou de forma genérica, sem deixar claro se seria favorável ao impeachment de um ministro. "Temos que ter senadores que tenham coragem para chegar no Senado e poder votar, inclusive, impeachment de ministro, caso esse ministro cometa crime de responsabilidade", afirmou.

Ao final do debate, o candidato do PL disse que Salles não declararia que é favorável ao impeachment de Moraes porque a denúncia contra ele, no caso do contrabando ilegal de madeira, aguarda julgamento no STF. Salles, então, foi categórico: "Se houver processo e eu tiver de votar, é sim", declarou.

Marina Silva adotou postura similar a de Prado e disse que o ministro que cometer crime de responsabilidade "pode e deve ser cassado" pelo Senado.

Soninha Francine manifestou preocupação para que o caso do banco Master não acabe em pizza e indicou apoio a medidas sugeridas por Simone Tebet, como mandato e idade mínima para os ministros.

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Ela também defendeu regras mais duras de compliance para recebimentos de presentes e conflitos de interesse. "(Ministro) Não pode pegar carona em jatinhos", afirmou ela.

Tebet, por sua vez, disse que não há políticas mulheres envolvidas no caso Master e que é necessário combater a corrupção com rigor. "Doa a quem doer. Não interessa se é Alexandre de Moraes ou André Mendonça, Flávio Bolsonaro ou Ciro Nogueira. Abuso de poder é abuso de poder", declarou.

Outro tema recorrente do debate foi o fato de que Marina e Tebet fizeram carreira política respectivamente no Acre e no Mato Grosso do Sul. Os candidatos de direita também buscaram associá-las a suspeitas ou casos de corrupção do governo Lula, como o Mensalão e, mais recentemente, as investigações contra Fábio Luís da Silva, o Lulinha.

"Quando é um homem que sai lá do Rio de Janeiro para ser candidato ao governo de São Paulo, é tapete vermelho", defendeu-se Marina, em alusão a Tarcísio de Freitas. "Quando são mulheres, são tratadas como forasteiras. Nós temos biografia, serviços prestados aos nossos estados de origem e ao País", acrescentou a ex-ministra em um embate com Salles.

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Soninha e Rufino ficam isolados

Soninha Francine e Geraldo Rufino (Podemos), outro participante do debate, ficaram isolados especialmente no início do programa.

No primeiro bloco, escolheram um ao outro para responder às perguntas nas duas ocasiões em que puderam realizar perguntas. Mais adiante, também foram escolhidos por um jornalista para responder e comentar a mesma pergunta.

"O que me salvou da rua e da favela foi justamente a minha bandeira: emprego e renda", disse Rufino, perguntando à adversária qual proposta ela teria para resolver esse tema na "cidade" de São Paulo.

"Não tem só uma medida necessária. Tem muitas medidas, que dizem respeito ao mundo do trabalho, à educação, e também à saúde. É preciso tratar da saúde mental", respondeu Soninha, citando que mudanças na legislação trabalhista e a expansão do nível técnico também podem aumentar o interesse dos jovens pelo emprego formal.

Intenções de voto para o Senado em SP

Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, 8, colocou Marina Silva e Guilherme Derrite com 14% das intenções de voto. Ambos estão tecnicamente empatados com Simone Tebet, que tem 12%. Os percentuais são relativos aos votos totais, que somam as respostas do primeiro e do segundo voto.

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Em seguida, aparecem André do Prado, com 7%, e Ricardo Salles, com 3%.

Outros cinco candidatos marcaram 1% cada: Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Maíra de Souza (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU) e Guto Schiavetto (Missão). Indecisos são 26% e brancos, nulos e quem não vai votar, 19%.

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