Para conter a crise no STF, o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria do inquérito das fake news, antes com Alexandre de Moraes, suspendeu decisões sobre a PF e pautou apuração contra o colega. As medidas repercutiram entre presidenciáveis: Ronaldo Caiado e Romeu Zema apoiaram o afastamento de Moraes, com críticas ao cenário político e institucional; Renan Santos repudiou a atuação do tribunal, classificando-a como disputa de egos; e Augusto Cury alertou sobre futuras indicações à Corte.
Os novos desdobramentos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) geraram repercussão entre os candidatos à Presidência. Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) comentaram o assunto.
Nesta quarta-feira, o presidente da Suprema Corte, Luiz Edson Fachin, tomou uma série de medidas para tentar apaziguar os ânimos e atenuar os abalos institucionais recentes: assumiu a relatoria do inquérito das fake news, antes sob Alexandre de Moraes; marcou para a próxima terça, 15, uma sessão para julgar a abertura de investigação sobre Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro; e suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Ronaldo Caiado (PSD)
Pela decisão de retirar o inquérito das Fake News de Moraes, Caiado parabeniza Edson Fachin, mas trata como "aberração" a sequência de ações encenadas no STF hoje, 9. Além disso, descreve a crise da Corte como "cortina de fumaça para não se discutir as eleições para presidente."
"Estamos a 25 dias das eleições e ninguém fala sobre. Você vê os candidatos que disputam as primeiras colocações, Flávio Bolsonaro e Lula, que estão contaminados pela mesma corrupção, em uma situação que beneficia os dois", declara ao associar os dois nomes a Daniel Vorcaro e ao escândalo do INSS.
Além disso, alegou que "o país está sem comando" e que para governar é preciso "autoridade e moral". Em mais uma referência a Lula e Flávio, falou que os dois não teriam essas características. "E também não têm coragem pessoal", afirma.
Sobre o atual presidente, criticou uma suposta falta de diálogo com a Corte. "O presidente não tem nem voz ativa no Supremo porque ele é dependente. Ele não tem capacidade de sentar à mesa e decidir algo que está colocando em risco a democracia brasileira."
Augusto Cury (Avante)
Em rápida live nas redes sociais, Augusto Cury fez referência à crise do STF e aos dois primeiro colocados nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O próximo presidente irá escolher quatro ministros para o Supremo. Já pensou o que pode acontecer? Eu não quero escolher ministros para me proteger. Se tiver o privilégio de escolher, escolherei as melhores pessoas para serem as guardiãs da Constituição e protetoras da sociedade."
Ele aproveitou para pedir apoio aos seguidores com a produção de vídeos para ajudar na campanha.
Renan Santos (Missão)
Em declaração divulgada à imprensa, Renan Santos criticou a decisão de Fachin e criticou os ministros do Supremo Tribunal Federal como um todo.
"A decisão do Fachin só coroou um show de horrores que o Brasil está passando. Um show ridículo de briga de egos entre ministros da Suprema Corte", declarou.
"É uma Suprema Corte que representa a própria política do Brasil. Ninguém quase vale nada ou está preocupado com o Brasil, todo mundo preocupado com o ego e em acumular poder", alegou em ataque ao STF.
Por fim, também fez referência a população e aos eleitores, sugerindo falta de envolvimento político. "Infelizmente, o povo brasileiro até desistiu de discutir, nem entende nada do que está acontecendo e prefere assistir futebol do que ver essa pataquada ridícula dentro do STF", concluiu.
Romeu Zema (Novo)
Em vídeo divulgado para imprensa, Romeu Zema comemorou a decisão de Fachin de retirar Moraes do inquérito das fake news.
"Até que enfim, o presidente do STF teve coragem de afastar o ministro Alexandre de Moraes do inquérito do Fim do Mundo, que era uma vergonha não só para o Supremo, mas para o Brasil", declarou.
Citando Mendonça, ele afirma esperar que o ministro continue relatando "o processo que precisa de pessoas isentas e não um dos intocáveis". Ele ainda declarou que a situação parece "dar esperança."