Após revés no STF, CPI do INSS deverá ir para última sessão com guerra de relatórios

Relator, ligado à oposição, apresentará parecer que desagrada governo; base já tem documento paralelo e trabalhará para derrubar no voto o texto de Alfredo Gaspar

26 mar 2026 - 21h00
(atualizado às 21h20)

BRASÍLIA - Após o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reverter a prorrogação de trabalhos, a CPI do INSS deverá ter um dia de uma guerra de relatórios para definir qual versão prevalecerá na investigação do esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias.

A sessão está marcada para começar na manhã desta sexta-feira, 27, e há possibilidade de pedido de vista (mais tempo para análise) ao parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

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Articulação de última hora garantiu que oposição surpreendesse governo e elegesse presidente alinhado ao grupo; governo dessa vez é otimista que poderá derrubar parecer que deverá atacar Lula e aliados.
Articulação de última hora garantiu que oposição surpreendesse governo e elegesse presidente alinhado ao grupo; governo dessa vez é otimista que poderá derrubar parecer que deverá atacar Lula e aliados.
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Estadão

A depender dos ritmos do trabalho e do tamanho do impasse, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não descarta até mesmo realizar a votação no sábado, 28, que é o último dia que a CPI tem para poder trabalhar.

De um lado está o texto de Gaspar, que migrou para o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta semana. O documento dele tem mais de 5 mil páginas e mais de 200 indiciados - um deles, ainda estuda o relator, poderá ser Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.

A Polícia Federal identificou que, no mesmo período em que Roberta recebeu ao menos R$ 1,1 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ela pagou R$ 640 mil para uma agência de viagens que, de acordo com a PF, era usada por Lulinha.

Os governistas preparam um voto em separado, que pretende afastar o teor oposicionista que o grupo espera estar presente no parecer de Gaspar. Esse relatório paralelo terá mais de 100 indiciados e divide a operacionalização do esquema fraudulento em nove núcleos.

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O presidente da CPI do INSS trabalhou ao longo desta semana para tentar construir um relatório de consenso. Mas o clima de guerra entre oposição e governo e o fim abrupto dos trabalhos da inviabilizou qualquer tentativa de acordo.

"A oposição aqui tentou de tudo, menos investigar de tudo menos o INSS. É por isso que a CPI chegou ao ponto que chegou", afirmou Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na CPI.

Agora, caberá à comissão decidir isso no voto. Na maioria das votações feitas na CPI, o governo saiu triunfante ao angariar votos do Centrão para o seu lado.

"Foi muito claro o medo da base deles. Só o que eles queriam eles não conseguiram, que era fazer com que a CPI desgastasse o governo. Desgastou, porque há responsabilidade, sim. A CGU, por exemplo, não parou de descontar do Sindnapi, que é o sindicato do irmão de Lula. Isso desgastou muito", afirmou Viana.

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Como mostrou o Estadão, a CPI do INSS chegou ao fim com pontas soltas e lacunas na chamada segunda fase da investigação, iniciada neste ano.

Desde fevereiro, com a retomada dos trabalhos do Congresso, a comissão realizou oito sessões, cancelou outras seis reuniões e apenas um presidente do setor dos consignados, do C6 Consignado, foi ouvido até então.

O saldo dos integrantes é que houve um movimento de blindagem para evitar que a investigação aprofundasse.

Até então, a CPI já aprovou 2.150 requerimentos e rejeitou 92. Dentro desse universo, a comissão aprovou 1.027 requerimentos de transferência de sigilo, rejeitou 30, aprovou 779 convocações ou convites e rejeitou 99.

Foram 1.962 documentos recebidos até esta quarta-feira, 25. A maior parte do volume veio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), 649, e da Receita Federal, 599.

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