'Você atirou nela? Por quê?', pergunta policial a colega que disparou contra mulher em SP

Agente alegou ter levado tapa no rosto, mas registro de câmera corporal não mostra agressão; vítima de disparo morreu

9 abr 2026 - 09h57
Soldado Yasmin Cursino Ferreira, que não portava câmera corporal, alegou ter sido agredida
Soldado Yasmin Cursino Ferreira, que não portava câmera corporal, alegou ter sido agredida
Foto: Reprodução/TV Globo

Um vídeo de câmera corporal usada por um policial militar mostra o momento em que ele questiona a colega de corporação do motivo para ela disparar e matar uma mulher, na Zona Leste de São Paulo. Os dois agentes envolvidos no caso foram afastados.

No registro da ocorrência, a PM Yasmin Cursino Ferreira afirmou que a vítima, Thawanna da Silva Salmázio, morta após levar o tiro, iniciou uma briga, dando um tapa em seu rosto. No entanto, um vídeo da câmera corporal do colega de Yasmin, o soldado Weden Silva Soares, não mostra isso. Weden chega a questionar a policial do motivo pelo qual ela disparou contra Thawanna. 

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"Você atirou? Você atirou nela? Por que, ca*****?", pergunta o soldado. No vídeo, obtido pela TV Globo, Yasmin também afirma que disparou após Thawanna dar um tapa em seu rosto.

Morte de Thawanna Salázio em intervenção policial gerou protestos e confronto na Zona Leste de SP
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Policial atirou e matou mulher na Zona Leste de São Paulo

O caso ocorreu na última sexta-feira, 3, na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (SP), durante a madrugada. Thawanna da Silva Salmázio caminhava com o marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, por uma rua na Cidade Tiradentes, Zona Leste da capital paulista.

O episódio começa com o retrovisor da viatura batendo no braço de Luciano. Weden, que conduzia o carro e usava a câmera corporal, estava ao lado de Yasmin, que não portava o equipamento. Ele dá ré com o veículo e afirma ao casal que "a rua é lugar para você estar andando, ca*****?".

"Ô, Steve", diz Luciano na gravação. A gíria é usada entre PMs para se referir a colegas de farda. "Steve é o c******", rebate o policial.

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Soldado Yasmin Cursino Ferreira, que não portava câmera corporal, alegou ter sido agredida
Foto: Reprodução/TV Globo

"Não, não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós", diz Thawanna. Neste momento, a soldado Yasmin desce do veículo, manda a mulher não apontar o dedo para sua cara, e efetua um disparo. "Você atirou nela? Por quê?", questiona Weden.

Thawanna chegou a ser socorrida após ser baleada, mas não resistiu. De acordo com informações enviadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ao Terra nesta quinta-feira, 9, as imagens registradas durante a ocorrência já foram identificadas e anexadas aos inquéritos.

A SSP-SP lamentou a morte de Thawanna e se solidarizou com os familiares da vítima. De acordo com a pasta, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso com prioridade. Há também um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado e acompanhado pelas corregedorias.

Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e a arma com a qual foi feito o disparo foi apreendida. "Todas as imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ocorrência, inclusive a do parceiro da policial envolvida, já foram identificadas e anexadas aos inquéritos", diz a nota.

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Segundo a SSP-SP, todas as imagens, perícias e depoimentos são analisados com rigor. O atendimento à vítima no local e o socorro a uma unidade de saúde também são apurados. Toda e qualquer irregularidade identificada será apurada e os responsáveis punidos nos termos da lei, afirma a pasta.

Soldado Yasmin Cursino Ferreira, que não portava câmera corporal, alegou ter sido agredida
Foto: Reprodução/TV Globo
Fonte: Portal Terra
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