Vídeo de câmera corporal mostra que mulher morta por PM em SP não iniciou briga, diz TV
Imagens contradizem relato de equipe policial; agente afirmou ter levado tapa no rosto, mas registro não mostra agressão
Um vídeo de câmera corporal usada por um policial militar mostra que a mulher morta após levar um tiro de uma soldado da corporação não iniciou briga, nem encostou na viatura, conforme relatado pela agente. De acordo com informações enviadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ao Terra nesta quinta-feira, 9, as imagens registradas durante a ocorrência já foram identificadas e anexadas aos inquéritos.
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O caso ocorreu na última sexta-feira, 3, na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (SP). Thawanna da Silva Salmázio chegou a ser socorrida após ser baleada, mas não resistiu. As Polícias Civil e Militar investigam.
Uma câmera de segurança registrou os últimos momentos de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, que foi morta com um tiro disparado por uma policial militar após uma discussão, na madrugada de sexta-feira, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.
Ela e o marido estavam… pic.twitter.com/nz2Ua4ABqx
— Beta Bastos (@roberta_bastoss) April 6, 2026
De acordo com a TV Globo, durante a madrugada, o retrovisor da viatura bateu no braço do marido de Thawanna, Luciano Gonçalvez dos Santos, quando os agentes entraram com o veículo na rua Edimundo Audran. O soldado Weden Silva Soares, que conduzia o carro e usava a câmera corporal, estava ao lado da soldado Yasmin Cursino Ferreira, que não portava o equipamento.
Nas imagens obtidas pela Globo, é possível ver quando Weden para o veículo e questiona se "a rua é lugar" para o casal estar andando. "Ô, Steve", diz Luciano na gravação. A gíria é usada entre PMs para se referir a colegas de farda. "Steve é o c******", rebate o policial.
"Não, não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós", diz Thawanna. Neste momento, a soldado Yasmin desce do veículo, manda a mulher não apontar o dedo para sua cara, e efetua um disparo.
"Você atirou? Você atirou nela? Por que, ca***?", questinona Weden. Yasmin afirma que disparou após Thawanna dar um tapa em seu rosto. As imagens não mostram isso.
Ao Terra, a SSP-SP lamentou a morte de Thawanna e se solidarizou com os familiares da vítima. De acordo com a pasta, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso com prioridade. Há também um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado e acompanhado pelas corregedorias.
Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e a arma com a qual foi feito o disparo foi apreendida. "Todas as imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ocorrência, inclusive a do parceiro da policial envolvida, já foram identificadas e anexadas aos inquéritos", diz a nota.
Segundo a SSP-SP, todas as imagens, perícias e depoimentos são analisados com rigor. O atendimento à vítima no local e o socorro a uma unidade de saúde também são apurados. Toda e qualquer irregularidade identificada será apurada e os responsáveis punidos nos termos da lei, afirma a pasta.
Entenda o caso
No registro da ocorrência, os policiais informaram que estavam em patrulhamento quando avistaram um casal andando no meio da rua, de braços dados. O homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura.
Os agentes, então, teriam retornado ao local, momento em que o rapaz começou a discutir com a equipe e desobedecido uma ordem para se afastar. Em meio ao desentendimento, a mulher teria avançado sobre uma policial militar.
A agente relatou ter sofrido um tapa no rosto e tentado se defender. Na sequência, teria havido um disparo de arma de fogo, e Thawanna teria sido atingida na barriga. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes.
Em depoimento, o homem afirmou que a viatura passou pelo casal em alta velocidade, quase atropelando-o, o que teria gerado uma reação da mulher. Segundo o rapaz, uma agente teria descido da viatura e efetuado o disparo contra Thawanna, Ele disse, ainda, ter sido atingido com spray de pimenta.
Durante a noite de sexta, após a morte de Thawanna, moradores da região protestaram. Sob risco de confronto entre os manifestantes e as forças de segurança, a PM chegou a orientar para que a população evitasse circular pela região.