Senador viajou aos EUA em jatinho de advogado gerido por empresa de Vorcaro

Weverton Rocha diz que fez viagem particular a convite de Willer Tomaz, que afirma ser o dono da aeronave e não ter nenhuma relação com dono do Banco Master

7 abr 2026 - 12h12

BRASÍLIA - O senador Weverton Rocha (PDT-MA) viajou no fim do ano passado aos Estados Unidos, com o advogado e empresário Willer Tomaz, em um jatinho particular administrado por empresa que tinha o banqueiro Daniel Vorcaro como um dos sócios.

Embora no cadastro oficial a aeronave seja operada pela Prime Aviation e pertença a uma firma aberta no exterior, Tomaz afirma ser um dos donos do avião e não ter nenhuma relação com o dono do extinto Banco Master.

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O empresário e advogado Willer Tomaz com o senador Weverton Rocha
O empresário e advogado Willer Tomaz com o senador Weverton Rocha
Foto: Estadão

Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que foi convidado por Tomaz para uma viagem particular e que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro. O advogado, por sua vez, afirmou ser o proprietário de um terço da aeronave citada, em regime de copropriedade com outros dois cotistas.

"A empresa Prime atua exclusivamente na gestão operacional da aeronave, não sendo proprietária nem possuindo qualquer participação societária sobre o bem", frisou, em nota.

O senador e o advogado, com familiares, embarcaram em Brasília no início da manhã do dia 3 de setembro de 2025. A aeronave modelo Legacy 600, com prefixo PPNLR, decolou para Barbados, no Caribe, e em seguida partiu para um aeroporto de Nova Jersey próximo a Manhattan, em Nova York.

Em sites especializados, o jato executivo é avaliado em R$ 40 milhões. Tomaz não revelou os nomes dos outros dois proprietários, mas ressaltou que "Daniel Vorcaro não é sócio e não possui qualquer participação na referida aeronave".

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"A viagem mencionada teve caráter exclusivamente pessoal, foi integralmente custeada por Willer Tomaz e não possuiu natureza comercial, profissional ou institucional", frisou a nota do advogado.

Willer e Weverton são amigos e têm uma relação familiar. Um é padrinho do filho do outro.

O avião utilizado foi o mesmo no qual o ministro Nunes Marques embarcou, em novembro, para ir ao aniversário da advogada Camilla Ramos, em Maceió (AL), como revelou o Estadão. Ela também bancou viagem de filhos do ministro.

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião tem 17 assentos e é operado pela Prime Aviation, controlada pela Prime You. Como proprietária aparece a firma UBS AG, com sede fora do País.

A Prime You recebeu aporte dos fundos Jaguar e Patrimonial Blue, ambos sob administração da gestora Trustee, de Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Master.

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Vorcaro deixou de ter participação societária direta na Prime You em setembro de 2025, quando o Banco Master já estava na mira das autoridades. Essa participação foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, que é uma gestora de fundos também ligada ao Master, de acordo com as investigações da Polícia Federal.

Willer Tomaz também é próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O Estadão mostrou que ambos viajaram juntos, com suas famílias, em maio de 2025, à Flórida em um avião executivo de longo alcance emprestado por outro empresário.

Weverton Rocha é investigado no esquema do INSS

Weverton Rocha foi alvo de busca e apreensão em dezembro, na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura irregularidades em descontos associativos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Ele também foi incluído no documento final da CPI do INSS elaborado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

O relatório, que não foi aprovado, apontou que o senador teve "atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa" e garantia a fluidez dos interesses do grupo dentro da administração pública.

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O senador será o relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), optou por mantê-lo.

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