Lula disse ter aconselhado Moraes a não permitir que 'caso do Vorcaro jogue fora sua biografia'

Presidente afirmou que aconselhou o ministro do STF a se posicionar sobre o caso Master e se declarar impedido de votar em julgamentos referentes ao banco liquidado

8 abr 2026 - 12h16
(atualizado às 13h13)
Moraes e Lula no desfile de Sete de Setembro de 2024
Moraes e Lula no desfile de Sete de Setembro de 2024
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 8, que disse ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que não deixasse o caso do Banco Master acabar com a "biografia histórica" dele, construída no julgamento dos atos golpistas do 8 de Janeiro. A declaração foi feita em entrevista ao portal de notícias ICL.

"Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a tua biografia", repetiu Lula na entrevista sobre o que disse a Moraes.

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O presidente também afirmou que aconselhou Moraes a se posicionar sobre o caso Master e se declarar impedido de votar em julgamentos referentes ao banco liquidado pelo fato de a mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, ter firmado contrato com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

"Se a sua mulher estava advogando, diga textualmente: 'a minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença, e eu só prometo que aqui na Suprema Corte, no caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar", disse Lula.

O escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025. O contrato, firmado no início de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos.

Em nota, o escritório afirmou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".

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Além disso, Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada a Vorcaro entre maio e outubro de 2025.

Ainda na entrevista, Lula afirmou que ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto "é a serpente que pôs o ovo" do caso do Banco Master.

"O Ilan Goldfajn, que era presidente do Banco Central, recusou reconhecer o Banco Master. O Roberto Campos legalizou o Banco Master", disse o presidente.

Lula também defendeu seu governo e afirmou que não há limites para a apuração de casos de corrupção, independentemente de quem esteja envolvido, inclusive integrantes da própria administração. Ao comentar o caso Master, o presidente defendeu a aplicação de punições exemplares e ressaltou que todos os envolvidos devem "pagar o preço", sob o risco de não haver efeito pedagógico no combate à corrupção.

"E todas as falcatruas que vêm na asa genealógica do Banco Master têm quem? O governo Jair Bolsonaro, o Paulo Guedes e os ministros deles", continuou Lula. "Só você mostrar que você vai perceber que é uma tentativa de esconder qual é a serpente que pôs o ovo. É o Roberto Campos."

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Lula criticou ainda a condução da CPI do INSS, ao afirmar que o colegiado não convidou nomes ligados ao governo Jair Bolsonaro e que houve tentativa de politizar a investigação. Ele salientou que o caso foi descoberto por órgãos de controle do governo, citando a atuação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.

"Eles tentaram fazer uma briga política, porque são dois candidatos a senador, o relator e o presidente. E tentaram envolver todo mundo do nosso lado", disse o presidente.

Sobre o caso do Banco Master, disse que não se opõe à instalação de uma CPI, desde que o processo seja abrangente e inclua Campos Neto e diretores da autarquia. Lula também afirmou que delações premiadas são sempre delicadas, pois podem ser "compradas", ao comentar o acordo em negociação de Daniel Vorcaro.

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