Relação de Vorcaro com servidores do BC, atos de violência e intimidação e mais: entenda em 7 pontos o relatório da PF

Documento aponta ainda monitoramento de autoridades, pagamentos a influenciadores e atuação de um grupo armado ligado ao banqueiro

11 set 2026 - 11h59
(atualizado às 12h00)
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está preso preventivamente desde março
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está preso preventivamente desde março
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

O relatório da Polícia Federal (PF) que embasou pedidos de medidas cautelares no caso envolvendo o Banco Master detalha uma série de suspeitas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas de seu círculo. O documento, cujo sigilo foi derrubado na noite de quinta-feira, 10, reúne informações sobre possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro, obstrução de investigações e intimidação.

Entre os principais pontos estão a relação de Vorcaro com servidores do Banco Central (BC), a obtenção de informações sigilosas por meio de policiais, a atuação de uma estrutura chamada pela PF de “Turma”, além de supostos pagamentos para influenciadores e jornalistas. 

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O relatório também descreve casos de violência e ameaças e sustenta que parte das ações teria continuado mesmo depois da prisão do banqueiro. O Terra entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro que respondeu a reportagem que não vai comentar o documento da PF.

Relação com servidores do BC

Um dos capítulos centrais do relatório trata da relação entre Daniel Vorcaro e dois servidores do BC: Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline Santana, que ocupava a chefia do departamento. Segundo a PF, os dois teriam defendido ativamente interesses do Master dentro da autarquia e atuado, em algumas situações, como “empregados” de Vorcaro.

A investigação aponta ainda que os servidores teriam recebido vantagens indevidas. Entre os elementos citados estão pagamentos, viagens e outras vantagens. No caso de Paulo Sérgio, a PF menciona uma negociação imobiliária de R$ 4,5 milhões envolvendo uma empresa ligada ao cunhado de Vorcaro, além de despesas de uma viagem internacional do servidor com a família.

Grupo “A Turma” e braço armado

Outro eixo da investigação é a chamada “Turma”, descrita pela PF como um grupo que atuaria em tarefas clandestinas para atender aos interesses de Vorcaro. Segundo o relatório, a estrutura era comandada operacionalmente por Felipe Mourão e teria entre seus integrantes policiais, inclusive um policial federal aposentado.

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A PF identifica Marilson Roseno da Silva como provável líder do grupo. As tarefas atribuídas à “Turma” incluiriam desde intimidação de desafetos até a obtenção ilegal de informações sigilosas. O relatório afirma que os novos elementos reunidos confirmariam a utilização de policiais nos atos de intimidação.

Acesso ilegal a informações sigilosas

Segundo a PF, Vorcaro teria utilizado a estrutura ligada a Felipe Mourão para obter informações sobre investigações em andamento em diferentes órgãos públicos. O relatório menciona acessos irregulares a sistemas da PF e do Ministério Público Federal, com uso de logins funcionais de terceiros e consultas não autorizadas.

Em um dos episódios, Vorcaro encaminhou a Mourão informações sobre um inquérito e pediu que ele verificasse o procedimento. Cerca de 40 minutos depois, Mourão teria repassado um áudio de Marilson Roseno dizendo que havia acionado a “Tropa” e que daria atenção especial ao pedido. 

A PF também cita consulta que identificou 15 procedimentos relacionados a Vorcaro, sendo 11 sigilosos.

Episódios de violência e intimidação

O relatório descreve também que Vorcaro teria solicitado ações para intimidar pessoas que poderiam representar algum tipo de ameaça a seus interesses. Em um dos casos, a investigação cita uma ordem para “dar um sacode” em um funcionário e mensagens em que o banqueiro pede que uma ação seja realizada com a presença de policiais.

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Em outro caso, relacionado ao filho de Vorcaro, a PF afirma que o banqueiro chegou a sugerir a simulação de um incidente envolvendo drogas contra um DJ. Posteriormente, segundo os investigadores, a estratégia teria mudado para uma intimidação por meio da Interpol. O documento afirma que o suposto documento da organização internacional utilizado para a ameaça teria sido forjado pela “Turma”.

O relatório da PF também aponta que o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, teria sido alvo de uma tentativa de intimidação.  “Esse lauro quero mandar da um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro no grupo. 

Monitoramento de desafetos e familiares

A investigação aponta ainda que a estrutura ligada a Vorcaro teria realizado levantamentos sobre pessoas que o banqueiro pretendia intimidar. O relatório menciona consultas envolvendo não apenas os alvos principais, mas também familiares deles.

Segundo a PF Vorcaro, Fabiano Zettel e Felipe Mourão discutiam no grupo como seriam realizadas as ações de intimidação. Em uma das situações, o documento registra a ordem para acionar o “pessoal do Rio” e descreve uma orientação de Vorcaro para que uma ação fosse realizada com o auxílio de policiais.

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Influenciadores e jornalistas pagos para defender o Master

Outro capítulo trata da tentativa de influenciar a opinião pública. Segundo a PF, Vorcaro teria utilizado a “Turma” e outros operadores para retirar conteúdos negativos da internet e remunerar influenciadores e jornalistas que produzissem material favorável a seus interesses.

O relatório menciona propostas que poderiam chegar a R$ 2 milhões para influenciadores produzirem conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionarem a atuação do Banco Central durante a liquidação da instituição. A investigação cita ainda o chamado “Projeto DV”, identificado pelas iniciais de Daniel Vorcaro.

A estratégia de controle da reputação, segundo a PF, também envolveria a remoção de publicações consideradas prejudiciais ao banqueiro. Em uma conversa, Vorcaro teria reclamado de uma reportagem e pedido que ela fosse retirada “urgente”. Na sequência, Felipe Mourão informou que a publicação havia sido removida e que seria criado um filtro para impedir novos títulos sobre o Banco Master.

O relatório afirma que Mourão também monitorava conteúdos negativos e identificava publicações que já haviam sido retiradas da internet. Em outra frente, teria separado links negativos no Google para tentar derrubá-los e produzido conteúdos positivos para ocupar as primeiras posições nas buscas.

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Vazamento antes da Operação Compliance Zero

A PF sustenta também que Vorcaro teria obtido informações antecipadas sobre a operação Compliance Zero. O relatório cita anotações encontradas no celular do banqueiro e afirma que, em outubro de 2025, ele registrou os nomes de representantes da PF que haviam participado de uma reunião reservada com o BC.

Outro registro, de 16 de novembro, dois dias antes da operação, tratava da possível proximidade de um terceiro com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra Vorcaro. Para a PF, como o inquérito era sigiloso, os registros reforçariam a suspeita de vazamento de informações.

PF detalha articulações de Vorcaro antes de ser preso e diz que banqueiro já sabia da operação
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Fonte: Portal Terra
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