A Polícia Civil do Amazonas deflagra, na manhã desta sexta-feira, 20, a Operação Erga Omnes contra um esquema ligado ao Comando Vermelho que mantinha um "núcleo político" na administração pública do estado. Segundo a TV Amazônica, afiliada da Globo, ao menos 14 pessoas foram presas até o momento.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Entre as pessoas detidas, está uma integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus. Até 2023, ela era chefe de gabinete do prefeito Davi Almeida (Avante), mas o acompanhava desde 2017, quando ele era deputado estadual do Amazonas. Segundo as investigações, ele não estaria envolvido nos crimes. Até o momento, a administração municipal não se posicionou sobre o caso.
Ela dela, outras sete pessoas foram presas no estado por suspeita de envolvimento no esquema. A operação também ocorreu no Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além da quebra de sigilo bancário e fiscal, do bloqueio e do sequestro de bens e valores.
Investigação
A operação investiga a atuação da organização criminosa no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Conforme o 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a investigação começou após uma apreensão de mais de 500 tabletes de skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário utilizado na logística terrestre, além de aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião.
A polícia, então, instaurou um inquérito policial para identificar a cadeia quem eram os operadores logísticos, os financiadores e os colaboradores do esquema criminoso. A investigação apontou que o grupo atuava com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico.
O Comando Vermelho, segundo as autoridades, utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte da droga, comprada na Colômbia, além de veículos alugados em nome de terceiros, para dificultar o rastreamento. Também foi identificado o uso de empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, com indícios de funcionamento apenas documental, utilizadas para a movimentação e ocultação de valores de origem ilícita.
Movimentações bancárias indicam movimentações atípicas e de elevado valor, com transferências entre investigados, empresas vinculadas ao grupo e pessoas de outros estados. Conforme a emissora, anualmente, a facção criminosa movimenta cerca de R$ 9 milhões por meio dessas empresas, o que indica incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.
Ramificações em outros estados
A organização criminosa possui ramificações interestaduais, com transações suspeitas e vínculos com investigados nos estados do Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí e São Paulo, evidenciando uma rede ampliada de fornecimento, financiamento e distribuição de drogas.
Até o momento, a polícia reuniu, por meio da quebra de sigilo telemático, indícios de tentativas de obter indevidamente informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais.