Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, por volta das 14h50 da tarde desta quinta-feira, 4. Ela teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo -- quando não há intenção de matar -- e recebeu o perdão judicial no caso da morte do filho.
- Você já nos segue nas redes sociais? O Terra Esportes está presente no Tiktok, no Youtube e no Instagram. Tudo para te manter informado de um jeito diferente e divertido. Siga nosso perfil, curta e compartilhe!
Um vídeo do momento da saída mostra Monique sentada no banco de trás de um carro e vestindo uma camiseta branca. Ela foi direto ao veículo e não conversou com os jornalistas.
O julgamento, iniciado em 25 de maio, foi encerrado com a leitura da sentença pela juíza Elizabeth Machado Louro. Ao anunciar a condenação do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o ‘Dr. Jairinho’, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry, a magistrada destacou a "violência desproporcional" e a "rara e desmesurada covardia" praticadas contra a criança, que descreveu como doce e bondosa.
A juíza afirmou ainda que o condenado possui uma "personalidade insidiosa", capaz de simular gentileza para ocultar uma natureza truculenta e de extrema periculosidade.
Jairinho foi condenado por homicídio triplamente qualificado -- por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima --, com aumento de pena pelo fato de Henry ser menor de 14 anos.
Ele também foi condenado pelos crimes de tortura e coação no curso do processo. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Além disso, ele foi condenado a pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.
Apesar do perdão judicial pela morte do filho, Monique foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de detenção pelo crime de tortura. No entanto, como já cumpriu o período correspondente em prisão preventiva, a pena foi considerada extinta. O julgamento foi o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A decisão de conceder perdão judicial a Monique e afastar sua responsabilização pela morte de Henry provocou reação do Ministério Público. Após a leitura da sentença, já na madrugada desta quinta-feira, o promotor Fábio Vieira afirmou que o órgão pretende recorrer do resultado. Segundo ele, a acusação defendia que a mãe da criança também fosse condenada pelo homicídio.
A avaliação foi compartilhada pelo pai de Henry, Leniel, que criticou o desfecho do julgamento em relação a Monique e classificou o resultado como uma nova violência contra a memória do filho.
"E agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos", declarou Leniel. "O que a gente espera de uma mãe? É proteção", acrescentou ele.