Áudio mostra delegado preso por desvio de drogas orientando BO falso sobre apreensão na PB

Áudios atribuídos ao delegado Braz Morroni, preso na Operação Perfídus, na Paraíba, indicam que o policial teria orientado um escrivão a registrar um B.O. com informações falsas.

10 jul 2026 - 19h15
(atualizado às 20h29)

A investigação que apura um suposto esquema de desvio de drogas dentro da Polícia Civil da Paraíba (PC-PB)ganhou novos desdobramentos com a divulgação de áudios atribuídos ao delegado Braz Morroni, preso na Operação Perfídus.

As gravações indicam que o policial teria orientado um escrivão a registrar um boletim de ocorrência com informações divergentes da operação realizada, incluindo uma data diferente da apreensão do material.

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Segundo documentos da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), aos quais a imprensa teve acesso, o delegado teria determinado que o registro oficial fosse feito apenas dias depois da ação policial.

Delegado Braz Morroni.
Delegado Braz Morroni.
Foto: Portal de Prefeitura

Nos áudios, ele conversa com um escrivão identificado pelo apelido de "Quinze" e orienta os procedimentos para formalizar a apreensão, enquanto menciona que outros dois investigadores seriam responsáveis por levar a droga até a delegacia para a confecção da documentação.

As investigações apontam que o material apreendido teria sido recolhido em 11 de outubro de 2025, mas o boletim foi registrado apenas em 17 de outubro. Para a Polícia Civil, essa diferença pode indicar uma tentativa de ocultar informações sobre a operação.

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Outro ponto que chama atenção é a quantidade de droga registrada oficialmente. Conforme o boletim de ocorrência, apenas 1,5 quilo de entorpecentes foi apreendido. No entanto, a Draco afirma que imagens recuperadas do celular do delegado mostram dezenas de pacotes armazenados em um imóvel, levando os investigadores a estimarem que o volume real ultrapassava 100 quilos.

As fotografias, segundo a polícia, foram apagadas do aparelho, mas recuperadas durante a perícia. Os arquivos contêm registro de data, horário e localização, além de indicarem a presença do delegado e de outro investigador no imóvel onde a droga estava armazenada.

A apuração também utiliza dados de geolocalização da viatura policial e outros elementos que, de acordo com a Draco, reforçam a suspeita de que parte da carga apreendida não teria sido oficialmente registrada.

A investigação teve início em fevereiro de 2025 após a denúncia de um traficante, que relatou o suposto desvio de drogas apreendidas por policiais civis. Desde então, os investigadores afirmam ter reunido provas de um esquema que pode ter movimentado cerca de R$ 10 milhões ao longo de quatro anos.

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Na Operação Perfídus, a Justiça expediu nove mandados de prisão, dos quais oito já foram cumpridos. Além de Braz Morroni, outros policiais também foram presos temporariamente.

A defesa do delegado não havia se manifestado até a publicação das informações. Os advogados dos demais investigados também não foram localizados. O caso segue sob investigação da Polícia Civil da Paraíba.

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