Os motivos que levaram Alexandre de Moraes a decretar prisão de Filipe Martins

Ex-assessor de Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde o fim de dezembro. Ele é um dos condenados por tentativa de golpe no âmbito do julgamento dos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

2 jan 2026 - 11h11
(atualizado às 11h36)
Filipe Martins
Filipe Martins
Foto: Reprodução / X / BBC News Brasil

O ex-assessor de Jair Bolsonaro Filipe Martins foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (2/1) no Paraná, após o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes avaliar que ele descumpriu medida cautelar que o proibia de utilizar as redes sociais.

Martins, que foi assessor especial para assuntos internacionais da presidência da República na gestão Bolsonaro, foi condenado a 21 anos de prisão em dezembro por tentativa de golpe no âmbito do julgamento dos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

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A ação ainda não teve o trânsito em julgado, que marcaria o início do cumprimento da pena. Desde o dia 27 de dezembro, contudo, Martins e outros condenados no processo cumpriam prisão domiciliar. Ela também havia sido determinada por Moraes, após a tentativa frustrada de fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.

A medida previa uma série de condições que, se violadas, poderiam ensejar a conversão em prisão preventiva. Na decisão que autorizou a prisão nesta sexta, Moraes avaliou que uma das medidas cautelares foi descumprida por conta de um acesso à rede LinkedIn.

"Em 29/12/2025, foi juntado aos autos notícia de que o réu condenado teria utilizado a rede social LinkedIn para a busca de perfis de terceiros", diz o texto, sem dar mais detalhes sobre o ocorrido.

A decisão prossegue dizendo que, na mesma data, o ministro teria determinado a intimação dos advogados de Martins para prestar esclarecimentos sobre o assunto.

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O retorno dado pela defesa em 31 de dezembro, ainda segundo o texto, foi que o acesso teria sido feito pelos próprios advogados, que estariam encarregados da "custódia e gestão exclusiva" das contas e perfis de Martins.

"Tal gestão técnica é exercida de forma silenciosa, não comunicacional e desprovida de qualquer exteriorização de vontade ou expressão de pensamento, inexistindo, em consequência, postagem, interação, trocas de mensagens ou qualquer outra forma de atuação comunicacional em plataformas digitais", disse a defesa, em trecho reproduzido na decisão.

"O Defendente não detém credenciais de acesso e não pratica qualquer ato em tais plataformas desde período anterior à imposição das atuais restrições cautelares", prossegue a manifestação.

Os advogados afirmaram que Martins não teria usado ele mesmo suas redes sociais e que, por isso, não teria descumprido medida cautelar.

Argumentaram que a vedação incidiria "exclusivamente sobre uso comunicacional ativo, voluntário e finalisticamente orientado de plataformas digitais" e que, portanto, não alcançaria "acessos técnicos, diligentes e passivos para fins de defesa, tampouco eventos automatizados das plataformas digitais, registros algorítmicos, inferências estatísticas ou quaisquer ocorrências desprovidas de conteúdo comunicacional, intenção ou autoria comprovada".

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Moraes afirma, no entanto, que "efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para 'preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa'".

E prossegue: "O acusado demonstra total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas, em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico".

Em pronunciamento enviado à reportagem, um dos advogados de Martins, Jeffrey Chiquini, se queixou da decisão de Moraes, afirmando que ela visaria antecipar o cumprimento da pena, embora ainda coubesse recurso.

"Não é uma medida cautelar, é uma medida de vingança", afirmou ele em vídeo também compartilhado em suas redes sociais, dizendo que "hoje o STF coloca em prática aquilo que já queriam desde 2019, quando Felipe Martins foi selecionado como líder do gabinete do ódio".

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