Flávio critica Moraes após STF negar prisão domiciliar a Jair Bolsonaro

2 jan 2026 - 11h48

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que negou o pedido de prisão domiciliar de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal, Flávio afirmou que a decisão é "cheia de sarcasmo" e acusou o ministro de agir como se tivesse "procuração para praticar tortura".

"Em mais uma decisão cheia de sarcasmo, dizendo que a saúde de Bolsonaro 'melhorou', o laudo médico é claro ao apontar que ele precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos numa prisão - existe até o risco de AVC em função das complicações em sua saúde", disse o senador na rede social X na quinta-feira, 1.º.

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Na decisão, Moraes afirmou que não houve agravamento do estado de saúde do ex-presidente, mas sim melhora dos desconfortos apresentados após a realização de cirurgias eletivas. "Destaco, ainda, que todas as prescrições médicas indicadas como necessárias na petição da Defesa podem ser integralmente realizadas na Superintendência da Polícia Federal, sem qualquer prejuízo à saúde do custodiado", escreveu o ministro.

Flávio Bolsonaro rebateu a decisão e afirmou que Moraes deveria ler o laudo médico. O senador publicou uma foto do pai internado, segundo ele, de abril de 2025. "A saúde de Bolsonaro nunca mais foi a mesma após a facada", concluiu.

O ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL-SC) também criticou a decisão. Em publicação no X, afirmou que Moraes ultrapassou qualquer limite aceitável em um Estado Democrático de Direito. "As decisões tomadas por esse sujeito não apenas violam garantias constitucionais básicas, como expõem deliberadamente Jair Bolsonaro a riscos reais, físicos e humanos", escreveu.

Flávio e Carlos Bolsonaro são pré-candidatos nas eleições de 2026. Senador pelo Rio, Flávio anunciou sua candidatura à Presidência em dezembro de 2025, a pedido do pai. Carlos, que era vereador do Rio de Janeiro desde 2001, anunciou que pretende disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina.

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De volta à sede da PF

Jair Bolsonaro recebeu alta médica nesta quinta-feira e deixou o Hospital DF Star por volta das 18h40. Em seguida, foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, para retomar o cumprimento da pena de 27 anos de prisão. Ele foi condenado pelo STF por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

Bolsonaro estava internado desde a véspera do Natal, com autorização de Moraes, e foi submetido, no dia seguinte, à oitava cirurgia desde 2018, ano em que sofreu o atentado a faca durante a campanha eleitoral. A intervenção teve como objetivo tratar uma hérnia inguinal. Nos quatro dias seguintes, o ex-presidente passou por outros três procedimentos para tentar amenizar crises persistentes de soluços.

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