O PT denunciou à Justiça Eleitoral uma suposta ingerência da Meta nas eleições para favorecer Flávio Bolsonaro, alegando suspensão de contas e falhas de impulsionamento. A empresa negou favorecimento e citou problemas técnicos globais, mas o TSE exigiu provas de isonomia, enquanto Lula pediu a anulação da candidatura do adversário. Especialistas e ONGs criticam a falta de transparência das plataformas e acionaram órgãos internacionais, em meio a pedidos mútuos de cassação entre as campanhas.
Contas suspensas, impossibilidade de impulsionar posts no Instagram e dificuldades no uso da inteligência artificial para gerar conteúdos favoráveis ao candidato petista. Essas são algumas das denúncias que geraram indignação no campo da esquerda brasileira, a poucos dias do pleito de 25 de outubro, quando os dois candidatos aparecem separados por apenas dois pontos nas pesquisas.
"A sucessão de problemas técnicos inexplicáveis leva à suspeita de uma tentativa de ingerência da Meta nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro", denunciou o núcleo da campanha do PT em um comunicado, exigindo explicações da empresa americana.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigiu que a Meta comprovasse que oferece tratamento igualitário aos dois candidatos. Em um comunicado divulgado alguns dias antes, a empresa havia admitido falhas técnicas em escala mundial, negando tomar partido nas eleições brasileiras.
Porém, a própria legitimidade do TSE é questionada pela Associação Brasileira de Juristas, uma vez que seu presidente, Kassio Nunes Marques, foi nomeado por Jair Bolsonaro, pai do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Para Débora Salles, diretora de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, citada pelo Le Monde, "a falta de transparência sobre o funcionamento das plataformas digitais dificulta o acompanhamento e a fiscalização da visibilidade de certos conteúdos".
Em uma carta aberta, cem organizações da sociedade civil brasileira, professores e especialistas em tecnologia apelaram às Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para que fiscalizem as práticas das plataformas digitais durante as eleições.
O presidente Lula solicitou à Justiça Eleitoral, na terça-feira (20), que anule a candidatura de Flávio Bolsonaro, devido à suposta interferência da empresa Meta em favor do senador. Já o candidato do PL fez o mesmo pedido ao TSE, por suposta propaganda irregular em uma conta governamental no WhatsApp.