A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra a mobilização de apoiadores de Lula para manipular algoritmos e inflar buscas pelo termo "Bolsonaro mandou matar Lula". A ação acusa o canal liderado por André Janones de orquestrar a alta artificial do tema no Google e no X, solicitando providências das plataformas. A expressão faz alusão ao plano "Punhal Verde e Amarelo", investigado pela Polícia Federal, que previa o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes no fim de 2022.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) levou ao Tribunal Superior Eleitoral uma nova disputa envolvendo a mobilização digital de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com a defesa, o acionamento da Corte ocorreu após integrantes do canal Exército do Lula receberem orientações para pesquisar termos específicos no Google e publicar hashtags no X, entre eles a expressão "Bolsonaro mandou matar Lula".
O documento foi apresentado nesta terça-feira (20), a cinco dias do segundo turno. Os advogados sustentam que as ações tiveram como objetivo interferir artificialmente nos indicadores de interesse das plataformas e pedem providências também em relação a Google, X e Meta.
Bolsonaro e Lula entram no centro de nova disputa
Segundo a petição da campanha de Flávio, o canal administrado pelo deputado André Janones passou a orientar seguidores a realizar determinadas pesquisas no Google e impulsionar hashtags nas redes sociais. "Os termos ordenados chegaram ao Google Trends como 'aumento repentino' e ao topo dos assuntos do momento no X", apontou a defesa.
O documento registra que Janones teria anunciadao a estratégia baseada na escolha periódica de termos para pesquisa na tarde de terça-feira. O primeiro citado foi justamente aquele que relacionava Bolsonaro ao plano contra Lula.
Em material reproduzido no processo, o deputado explicou aos seguidores a lógica da mobilização: "É importante vocês também pesquisarem, porque ajuda a subir, e aí o algoritmo do Google entende que aquilo é relevante e vai estar cada vez mais alto na busca; ele próprio vai sugerir a busca."*
A defesa de Flávio, então, classifica esse comportamento como uma tentativa de amplificar artificialmente determinados assuntos. Essa interpretação, contudo, representa a argumentação dos advogados e ainda depende de análise do TSE.
Campanha contesta resposta da Meta
Ademais, a manifestação questiona a avaliação da Meta de que o WhatsApp não havia identificado sinais de "comportamento coordenado" no canal Exército do Lula. Para os advogados, as próprias mensagens apresentadas ao tribunal demonstrariam uma atuação organizada entre usuários. O documento pede que a Meta informe quais providências adotou em relação aos conteúdos divulgados por Janones e à posterior circulação pelo canal.
A campanha também quer informações de Google e X sobre eventual amplificação coordenada entre 18 e 20 de outubro. Entre os dados solicitados estão a evolução temporal das pesquisas e publicações, as políticas aplicáveis contra spam e manipulação e as medidas adotadas pelas empresas.
O que foi o plano Punhal Verde e Amarelo?
A frase que ganhou espaço nas buscas faz referência ao Punhal Verde e Amarelo, plano identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. Em 2025, o general da reserva Mário Fernandes, que integrou a Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter elaborado o arquivo relacionado ao plano, que pretendia assassinar o presidente, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes,
Ele, porém, afirmou que o documento representava apenas uma reflexão pessoal e negou ter compartilhado o conteúdo. "Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e por costume próprio resolvi digitalizar. Não foi apresentado a ninguém e nem compartilhado com ninguém", disse, segundo informações da 'CNN'.
As investigações da PF apontaram que planejamento também envolvia militares ligados às Forças Especiais do Exército, conhecidos como "kids pretos". De acordo com a investigação, o documento previa ações para dezembro de 2022, incluindo possibilidades de envenenamento e emprego de armamento. A PF ainda identificou monitoramento de autoridades e declarou que o material havia sido impresso no Palácio do Planalto.
A Polícia Federal afirmou que Jair Bolsonaro tinha "pleno conhecimento" do plano. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República sustentou que o planejamento teria sido apresentado ao então presidente e que ele teria concordado com a iniciativa.